RIO - O bloco mais cobiçado de leilão do pré-sal vai pagar 75% de lucro à União. O consórcio formado pela portuguesa Petrogal, a norueguesa Statoil e ExxonMobil arrematou o bloco de Uirapuru, no pré-sal da Bacia de Santos, o mais cobiçado da quarta rodada do pré-sal, . As empresas ofereceram 75,49% de óleo-lucro à União, oferta bem superior ao mínimo de 22,18%. O ágio foi de 240,3% - ou seja, mais que o triplo do mínimo oferecido. A Petrobras, que pode exercer direito de preferência, anunciou que vai integrar o consórcio vencedor. O investimento previsto é de R$ 246 milhões. Três dos quatro blocos ofertados tiveram propostas. Com isso, o bônus total do leilão foi de R$ 3,15 bilhões, um pouco menor que os R$ 3,2 bilhões previstos pelo governo.
No leilão de partilha, ganha o consórcio que oferecer maior percentual de óleo-lucro à União, ou seja, uma fatia da receita com a comercialização do produto. O bônus é fixo e, no caso de Uirapuru, é de R$ 2,65 bilhões.
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O repasse de lucro à União em Uirapuru será o quarto maior da história dos leilões do pré-sal, em que já foram arrematados nove blocos, incluindo o de Libra, em 2013.
A maior oferta já feita foi no leilão do bloco de Entorno de Sapinhoá, na segunda rodada, realizada em outubro do ano passado. Na ocasião, o consórcio formado por Petrobras, Shell e Repsol levou a área oferecendo 80% de óleo lucro. A segunda maior proposta foi feita naquele mesmo dia, quando Petrobras, CNODC e BP levaram o bloco de Peroba, na Bacia de Santos, com 76,96% de percentual de repasse. O terceiro lugar do ranking é a oferta por Alto de Cabo Frio Central, pelo qual Petrobras e BP prometeram 75,86% de óleo-lucro.
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O consórcio vencedor é liderado pela Statoil e Exxon Mobil, ambas com 28% de participação. A petroleira portuguesa tem 14% de participação. Ao todo, o bloco recebeu quatro ofertas, todas bem próximas. A estatal brasileira liderou um dos consórcios perdedores, com 45% no consórcio combinado à francesa Total (20%) e à britânica BP (35%). A oferta do grupo foi de 72,45%, bem próxima à vencedora.
A terceira proposta foi oferecida por QPI, do Catar (20%), Chevron (20%) e Shell (30%), que ofereceram 72,05%. Já a quarta foi um consórcio formado pelas chinesas CNODC (30%) e CNOOC (40%), que ofereceram 68,15%. A soma das participações não dá 100% por causa da reserva de 30% para a preferência da Petrobras.
A estimativa é que este bloco tenha um potencial de petróleo recuperável que varia entre dois bilhões a três bilhões de barris, considerando um fator de recuperação — quanto que é possível retirar do petróleo existente no subsolo com as tecnologias disponíveis — da ordem de 30%.
O segundo bloco, na área de Dois Irmãos, na Bacia de Campos, só teve uma proposta, que foi a vencedora. O consórcio é formado por Petrobras (45%), Statoil (25%) e BP (30%). As empresas ofereceram óleo-lucro de 16,43%, o mínimo previsto no edital. O investimento mínimo é de R$ 492 milhões, e o bônus é de R$ 400 milhões.
O bloco de Três Marias, na Bacia de Santos, foi arrematado pelo consórcio formado por Chevron (30%) e Shell (40%), que ofereceu 49,95%, ágio de 500,3% em relação ao mínimo previsto, de apenas 8,32%. A Petrobras, que havia pedido preferência, decidiu participar como operadora, com 30% de participação. A estatal brasileira havia oferecido outra proposta, em conjunto com BP e Total, com oferta de 18% de óleo-lucro. O bônus por Três Marias é de R$ 100 milhões.
O último bloco, de Itaimbezinho, não teve propostas. Com isso, o bônus total do leilão foi de R$ 3,15 bilhões, um pouco menor que os R$ 3,2 bilhões previstos pelo governo.

