BRASÍLIA - O Banco Central prevê que, após ter evoluído "de forma consistente" no ano passado, o mercado de crédito deve crescer 3% neste ano. O número apresentado no Relatório de Economia Bancária, divulgado nesta terça-feira, é menor que o previsto pelo BC em março, de 3,5%. Segundo o documento, o crescimento das concessões de crédito será puxado pelas pessoas físicas: 7%. Espera-se uma queda de 2% no saldo das pessoas jurídicas.
No ano passado, a dinâmica foi parecida. O número de novas concessões aumentou 3,3%. As concessões às pessoas físicas cresceram 8,4%, "influenciadas pela queda da inflação e da taxa básica de juros, pela melhora do emprego e pelo aumento da confiança do consumidor". Já as concessões às empresas tiveram queda de 2,7%.
O Banco Central ainda apontou que o custo médio das operações de crédito teve um leve recuo no ano passado, de 1,3 ponto percentual. Assim, chegou a 21,3% ao ano em dezembro. O relatório mostra que a inadimplência tem tido peso significativo no custo do crédito. Excluindo-se o custo de captação de recursos pelos bancos, entre 2015 e 2017, a inadimplência respondeu por 37,4% da composição do Indicador de Custo do Crédito (ICC).
O número de inadimplentes (com dívidas superiores a 90 dias) subiu nos últimos anos em decorrência da crise econômica. Em 2017, ele caiu, mas ainda em ritmo lento: um recuo de 0,5 ponto percentual. Assim, o percentual de operações em atraso foi de 3,2% no ano passado.
"A inadimplência afeta as taxas de juros cobradas nos empréstimos em dois aspectos primordiais: a sua prevalência (em outras palavras, quantos clientes deixam de pagar) e o prazo das operações. Quanto maior a taxa de inadimplência, maior a taxa de juros necessária para cobrir a perda com a inadimplência", explica o Banco Central.
Também pesam para a composição do custo do crédito (descontado o custo das captações), as despesas administrativas (25%), tributos e o Fundo Garantidor de Crédito (22,8%) e o lucro dos bancos, que respondeu a um incremento médio de 14,9% entre 2015 e 2017. Só no ano passado, a "margem financeira" das instituições bancárias foi responsável por 14,04% do ICC.

