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BC planeja queda de juros mais acelerada neste ano

BRASÍLIA - O atual cenário é favorável a uma “antecipação do ciclo de distenção da política monetária” — ou seja, queda mais rápida dos juros. A avaliação foi feita pelos membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) na semana passada, conforme ata divulgada hoje. No encontro, a autarquia anunciou redução 0,75 ponto percentual na Taxa Selic, juros básicos de referência da economia brasileira, para 13% ao ano. Após o corte, mercado passou a apostar que a taxa chegará a dezembro em 9,75%.

Na ata, os diretores do BC apontam que, com o processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica abaixo do esperado, a autoridade monetária pode baixar os juros mais rapidamente sem que isso atrapalhe o objetivo de levar a inflação para o centro da meta até 2018. A decisão sobre o corte ocorreu por unanimidade entre diretores e o presidente do BC.

Com a redução, as projeções para os juros neste ano também foram reduzidas. Antes do corte de quarta-feira, contava com Selic (referência para juros no país) em 10,25% em dezembro, conforme o Boletim Focus, boletim do BC que reúne as principais estimativas do mercado. Agora, é de um dígito (9,75%). Para o ano que vem, a expectativa é de Selic em 9,5%, projeção que também está em queda: era de 9,63% na semana passada e 9,88% há um mês.

A agressividade da redução — as duas quedas anteriores foram de 0,25 ponto percentual, e a maioria dos analistas estimava corte de 0,5 ponto — foi possível devido à desaceleração da inflação (tanto em 2016 quanto nas projeções para 2017 e 2018) e pela prolongada recessão econômica, que inibe aumentos de preços. A decisão ocorreu no dia em que o IBGE divulgou , abaixo do teto da meta. O descontrole da inflação em 2015 foi o que segurou os juros em 14,25% durante um ano e três meses. O BC só começou a baixar a Selic em outubro do ano passado, quando a taxa foi reduzida a 14%. Na reunião do dia 1º de dezembro, novo corte: dessa vez para 13,75%.

A taxa de juros prevista para o fim deste ano é ainda menor (9,5%) quando consideradas apenas as previsões das cinco instituições que mais acertam, grupo chamado de Top-5. Antes, essas instituições viam a Selic em 10% no fim do ano. Para 2018, estimativa também foi reduzida de 10,25% para 9,50%.

Em queda contínua, a estimativa de inflação para este ano também foi reduzida: agora é de 4,8%, abaixo dos . Para 2018, a expectativa é de inflação, medida pelo IPCA, em 4,5%, no centro da meta.

Para o crescimento do país, as expectativas continuam em expansão de 0,5% neste ano. Para 2017, encolhem: caíram de 2,3%, na semana passda, para 2,2%, nesta semana. Na última sexta-feira, foi divulgado que . Economistas avaliam que o resultado se deveu à expansão de 2% no varejo no mês, fortemente apoiada nas vendas da Black Friday. Após uma recessão que dura dois anos, já há economistas que preveem um ano de 2017 sem crescimento, com estagnação.

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