Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 3 Set (Reuters) - O conglomerado financeiro paranaense Bari prevê continuar avançando acima da média do mercado de financiamento com garantia de imóvel, segmento que impulsionou a expansão da carteira de crédito do grupo no primeiro semestre, afirmou o presidente-executivo, Rodrigo Pinheiro.
"É hoje uma das principais frentes de crescimento do Bari e um produto que ainda tem bastante espaço para avançar no Brasil", disse o executivo à Reuters. "Temos uma robusta estrutura de capital...e contamos também com a tecnologia embarcada nos processos de originação, que nos permite expandir com agilidade e eficiência", acrescentou.
A carteira de crédito total do Bari fechou a primeira metade do ano com R$2,16 bilhões, alta de 29,2% ante o final de junho de 2025, com a carteira de "home equity" somando quase R$1,6 bilhão, alta de 37,9% ano a ano.
De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o estoque de crédito com garantia de imóvel somava R$34,1 bilhões no final de junho, alta de 27% em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a junho, as concessões totalizaram R$6,67 bilhões, alta de 30,9% ano a ano.
"O foco estratégico está cada vez mais concentrado no home equity, com investimentos em marketing, mídia, educação financeira, influenciadores e tecnologia para sustentar esse crescimento", acrescentou.
Pinheiro, contudo, antecipa uma acomodação no ritmo de crescimento do crédito do grupo nos próximos meses, em razão de uma base agora maior, perspectiva de manutenção de taxas de juros em níveis elevados e possível volatilidade eleitoral.
"É natural que o ritmo de crescimento na comparação entre os semestres apresente alguma acomodação", afirmou. "Isso não significa, porém, uma reversão da tendência. A expectativa continua sendo de crescimento na comparação anual, ainda que em um ritmo diferente do observado no primeiro semestre", acrescentou.
Além do home equity, o grupo também trabalha com outras modalidades de crédito, como o consignado, que no primeiro semestre representou uma carteira de R$413 milhões, acréscimo de cerca de 5% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Quanto à qualidade dos portfólios do conglomerado, o imobiliário, no qual está o home equity, registrou um índice de atrasos acima de 90 dias de 2,54% no final de junho. No consignado, essa métrica ficou em 2,94%.
"A expectativa (no crédito) é manter o rigor técnico e a baixa inadimplência. Temos uma expertise importante na avaliação das garantias e uma carteira com caráter colateralizado, o que confere resiliência e proteção contra perdas, inclusive em cenários de maior estresse macroeconômico", afirmou.
Pinheiro também afirmou que o objetivo do Bari é preservar níveis elevados de retorno sobre o patrimônio (ROAE), após essa linha no balanço alcançar 39,2% no primeiro semestre, de 29,7% um ano antes. Também busca manter a consistência no resultado, que na primeira metade do ano mostrou um lucro líquido de R$43,3 milhões, salto de 66,3% ante o mesmo intervalo de 2025, e equivalente a quase 77% do lucro registrado no ano passado.
"A tecnologia embarcada em nossa jornada operacional cumpre um papel central nesse pilar, porque viabiliza o ganho de escala sem um aumento proporcional nos custos fixos", afirmou Pinheiro.
No primeiro semestre, o índice de eficiência do banco que tem sede em Curitiba (PR), ficou em 28%, contra 38,8% um ano antes. O índice de eficiência mede o custo do banco para gerar receita. Quanto menor, melhor.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)




Aviso