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Economia

Bancos freiam alta da Bolsa com relatório da Previdência

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mesmo com um relatório da reforma da Previdência que superou as expectativas do mercado, a Bolsa brasileira não teve fôlego para alcançar os 100 mil pontos. Pelo segundo pregão seguido, o Ibovespa fechou no patamar de 98 mil pontos.

Apesar da maior parte das companhias registrar alta nesta quinta-feira (13), o índice teve sua valorização freada pela forte queda dos bancos. Para compensar os pontos retirados da reforma, o relator Samuel Moreira (PSDB-SP) propôs um aumento na tributação sobre as instituições financeiras para elevar as receitas do sistema de pagamento de aposentadorias e pensões.

A ideia é elevar, de 15% para 20%, a alíquota sobre a CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) de bancos.

Com o aumento do tributo, o impacto fiscal total de R$ 1,13 trilhão em dez anos, considerando medidas de aumento de receitas propostas pelo relator, Samuel Moreira (PSDB-SP).

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) endurece regras de aposentadorias e pensões e elevação de receitas para a Previdência, como a majoração de tributos sobre bancos. Essa parte da proposta representa uma economia de R$ 913,4 bilhões em dez anos.

Os outros R$ 217 bilhões viriam do aumento de arrecadação para a Previdência com o fim da transferência de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

"Este relatório foi melhor do que esperávamos, com boas regras de transição. A nossa expectativa era de uma economia de R$ 700 bilhões ao final da tramitação e talvez tenhamos que revisar este número para cima. Agora, o mercado vê que a reforma é uma realidade, que vai passar e vai ser boa", afirma Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos.

Com a proposta de aumento do CSLL, as ações do Itaú tiveram uma das maiores quedas da Bolsa brasileira, com recuo de 1,79%, a R$ 33,98. As ações ordinárias e preferenciais do Bradesco cederam 1%, a R$ 32,44 e R$ 36,19, respectivamente. Banco do Brasil recuou 1,58%, a R$ 51,43 e Santander, 1,33%, a R$ 43,52.

A queda do setor limitou a alta do Ibovespa em 0,46%, a 98.773 pontos. O giro financeiro foi de R$ 18,710 bilhões, acima da média diária para o ano. As companhias de maior peso no índice, Petrobras e Vale, registraram alta com a valorização de commodities no exterior.

Após supostos ataques a dois petroleiros no Golfo de Omã, perto do Irã e do Estreito de Hormuz, por onde passa um quinto do consumo global de petróleo, o barril do Brent teve alta de 2,27%, a US$ 61,33.

As ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras subiram 1,22%, a R$ 27,18. As ordinárias (com direito a voto), 1,35%, a R$ 29,91.

A Vale teve alta de 0,69%, a R$ 51,85 com valorização de 3% do minério de ferro na China.

Com a nova investida pela Netshoes, as ações da Magazine Luiza subiram 3,2%, a R$ 209,6. A Netshoes teve alta de 10,47% na Bolsa de Nova York, a R$ 3,80, máxima do ano. Na véspera, as ações da companhia subiram 13,16%.

Ações da JBS foram a maior perda desta sessão, com recuo de 2,62%, a R$ 21,55. Apesar da liberação da exportação de carne bovina para a China, o banco JP Morgan abaixou a recomendação sobre a companhia para neutra.

A cotação do dólar teve queda de 0,38%, a R$ 3,8550. Dentre as moedas emergentes, o real foi a que mais se valorizou nesta quinta, com alta de 0,13% na base de comparação em dólares.

O risco-país de dez anos medido pelo CDS (Credit Default Swap) recuou 0,6%, a US$ 251,236, menor patamar desde 21 de março, período de otimismo em que a Bolsa alcançou os 100 mil pontos durante o pregão.

No exterior, o viés foi positivo. Investidores aguardam o encontro do presidente americano Donald Trump e do presidente chinês Xi Jinping na cúpula do G20 no fim do mês e um possível corte na taxa de juros.

Os índices americanos Dow Jones e S&P 500 subiram 0,39% e 0,41%, respectivamente, enquanto Nasdaq acumulou 0,57% de alta. Frankfurt teve 0,44% de ganhos, e Londres e Paris se mantiveram estáveis.

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