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Banco Mundial desautoriza seu economista-chefe em polêmica com o Chile

RIO - De acordo com notícia publicada no site do jornal espanhol "El País", o Banco Mundial desautorizou o seu economista-chefe, Paul Romer, após uma entrevista dele ao The Wall Street Journal, publicada no sábado, em que acusava o banco de alterar sua classificação de competitividade empresarial para prejudicar o governo de Michelle Bachelet no Chile. Em carta dirigida ao ministro da Fazenda chileno, Nicolás Eyzaguirre, a principal executiva da instituição, Kristalina Georgieva, classifica as declarações de Romer como “infelizes” e esclarece que “não se trata da visão da gerência do Banco Mundial”.

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Paralelamente à declaração do Banco Mundial, o próprio Romer escreveu na terça-feira em seu blog que foi mal interpretado pelo jornal americano e lamentou o ocorrido.

“Numa conversa com um repórter, fiz comentários sobre o relatório Doing Business que deram a impressão de que eu suspeitava de manipulação política ou parcialidade. Não foi o que eu quis dizer. Não vi nenhum sinal de manipulação dos números publicados ou das cifras publicadas no relatório Doing Business ou em qualquer outro relatório do banco”, escreveu o economista. “O que eu quis dizer foi algo em que muitos de nós no Banco acreditamos: que podemos fazer um trabalho melhor para explicar o que nossos números significam”.

No mesmo dia em que a matéria foi publicada, sábado, a presidente chilena cobrou, por meio de uma de suas redes sociais, que o Banco Mundial lhe desse explicações. O organismo internacional informou em nota, na ocasião, que iria revisar os dados que medem o desempenho do país. De acordo com uma publicação feita por Romer em seu blog na segunda-feira, sem as alterações feitas na metodologia do "Doing Business", o Chile estaria quatro posições acima de sua colocação atual — ou seja, o país ficaria no 51º lugar do ranking, e não no 55º.

Kristalina defendeu o relatório que motivou a polêmica e acrescentou que o BM não tem indícios “que respaldem a ideia de que a metodologia foi distorcida para desfavorecer o Chile, ou que qualquer dessas mudanças tenha ocorrido por outros motivos que não fossem técnicos”. “Temos plena confiança na integridade do trabalho de pesquisa do Banco em geral e na metodologia e nos rankings do relatório Doing Business em particular”, afirmou Georgieva.

O estudo Doing Business mede a facilidade para fazer negócios em 190 países. Segundo as declarações de Romer ao WSJ, a elaboração do estudo poderia ter sido “potencialmente maculada pelas motivações políticas do pessoal do Banco Mundial”, algo que motivou um pedido de perdão do economista. “Quero me desculpar pessoalmente com o Chile e com qualquer outro país onde tenhamos transmitido uma impressão equivocada”, afirmou.

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