Início Economia Banco do Brasil vê expansão de lucro em 2026 após 4º tri acima do esperado
Economia

Banco do Brasil vê expansão de lucro em 2026 após 4º tri acima do esperado

Reuters

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 11 Fev (Reuters) - O Banco do Brasil teve lucro líquido ajustado de R$5,7 bilhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 40,1% em relação ao mesmo período de 2024, mas avanço de 51,7% ante o terceiro trimestre, conforme dados divulgados nesta quarta-feira, superando previsões no mercado.

Projeções compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$4,5 bilhões.

O BB também publicou suas projeções para 2026, incluindo lucro líquido ajustado de R$22 bilhões a R$26 bilhões. Em todo o ano de 2025, o lucro líquido somou R$20,7 bilhões, dentro do intervalo projetado pelo banco, entre R$18 bilhões e R$21 bilhões, mas queda de 45,4% em relação ao ganho apurado em 2024.

O BB chegou a calcular uma faixa entre R$37 bilhões e R$41 bilhões para a última linha do balanço de 2025 antes de suspender a projeção em maio. Em agosto, atualizou o prognóstico para o intervalo de R$21 bilhões a R$25 bilhões e, em novembro, voltou a cortar suas estimativas.

Mais de uma vez ao longo do ano passado, a presidente-executiva do BB, Tarciana Medeiros, afirmou que 2025 era um ano de ajustes, após o balanço do banco ser fortemente afetado pelo aumento da inadimplência de parte da carteira do agronegócio e por novas regras contábeis que entraram em vigor no passado.

Para 2026, o banco estima expansão de 0,5% a 4,5% na sua carteira de crédito, com destaque para o crescimento de 6% a 10% estimado para a pessoa física, enquanto o intervalo para empresas fica entre queda de 3% e alta de 1% e para o agronegócio entre declínio de 2% e acréscimo de 2%.

O custo do crédito foi estimado entre R$53 bilhões e R$58 bilhões para o ano corrente, que deve também mostrar expansão de 2% a 6% nas receitas de prestação de serviços e de 5% a 9% nas despesas administrativas. Para a margem financeira bruta, o BB calcula um aumento de 4% a 8%.

"Nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão", afirmou Medeiros em nota à imprensa.

"Estamos otimistas com 2026, atuando sempre com cautela, estratégia clara e execução disciplinada. Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e rentabilidade: fortalecimento de garantias, matriz de resiliência e novos produtos para sustentar a parceria histórica com o agro."

INADIMPLÊNCIA PIOR

No final de dezembro, a carteira de crédito expandida do BB somava quase R$1,3 trilhão, aumento de 1,4% na base trimestral e de 2,5% ano a ano, com o custo do crédito de quase R$18 bilhões, praticamente estável frente aos três meses anteriores, mas 93,9% maior na base anual.

A inadimplência acima de 90 dias atingiu 5,17%, de 4,51% no terceiro trimestre e 3,16% um ano antes, com o BB citando impacto de um caso específico na carteira de TVM de uma empresa do segmento Atacado no valor de R$3,6 bilhões. Desconsiderando esse caso, de acordo com o banco, o indicador seria de 4,88%.

Em pessoa física, a carteira cresceu 1,8% no trimestre e 7,6% ano a ano, com a inadimplência atingindo 6,56%, de 6,01% no terceiro trimestre e 4,66% um ano antes. Pessoa jurídica apresentou estabilidade, enquanto a inadimplência atingiu 3,75%, de 3,40% três meses antes e 3,30% no quarto trimestre de 2024.

A carteira de crédito para o agronegócio, que vinha prejudicando os números do BB, fechou o quarto trimestre com acréscimos de 1,8% na base trimestral e de 2,1% ano a ano. A inadimplência acima de 90 dias alcançou 6,09%, de 4,84% três meses antes e 2,23% um ano antes.

Na divulgação dos resultados do terceiro trimestre do BB, em novembro, executivos do banco haviam sinalizado números de inadimplência ainda pressionados nesse segmento, calculando uma inflexão a partir do primeiro trimestre de 2026.

RETORNO DE DOIS DÍGITOS

O BB voltou a mostrar um retorno sobre patrimônio líquido de dois dígitos no quarto trimestre, de 12,4%, acima dos 8,4% do trimestre anterior, mas ainda bem abaixo dos 20,8% registrados um ano antes. No primeiro trimestre do ano passado, a retorno havia sido de 16,7% e no segundo, de 8,4%.

O número também foi bem inferior aos 24,4% divulgados pelo Itaú Unibanco e abaixo dos 17,6% apresentados pelo Santander Brasil e dos 15,2% registrados pelo Bradesco para o período.

A margem financeira bruta do BB somou R$27,8 bilhões, alta de 3,8% em relação ao mesmo período de 2024, enquanto as receitas de prestação de serviços caíram 3,9% e as despesas aumentaram 4,1% ano a ano. O índice de eficiência do banco ficou em 27,7%, de 25,6% um ano antes.

O índice de capital nível 1 do BB passou de 12,66% para 14,26%, enquanto o capital principal subiu de 10,89% para 12,23%. O índice de Basileia ficou em 15,13%.

O BB também anunciou nesta quarta-feira distribuição de R$1,2 bilhão em remuneração aos acionistas sob a forma de juros sobre capital próprio (JCP) complementar.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?