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Banco Central olha cada vez mais para inflação de 2022, diz Campos Neto

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a autoridade monetária olha cada vez mais para a inflação de 2022 dentro do horizonte relevante, período para quando o BC entende que a política monetária faz efeito. "Reconhecemos que houve contaminação da inflação deste ano nas expectativas e por isso que decidimos fazer um movimento maior que o esperado pelo mercado [de alta da taxa básica de juros, Selic]. Não miramos no curto prazo, temos um horizonte para o que fazemos ter efeito, olhamos para 2022 cada vez mais", disse em entrevista à Bloomberg TV na noite desta terça-feira (13). Segundo ele, a contaminação da pressão inflacionária recente nas expectativas para o próximo ano não é estrutural, mas temporária. Campos Neto atribuiu a maior parte do movimento à alta nos preços das commodities. Sobre o câmbio, o presidente da autarquia afirmou que a moeda brasileira ficou estável nas últimas semanas. "O importante não é o Real [para o BC], temos um sistema de câmbio flutuante, mas como isso afeta a inflação e as expectativas", avaliou. Na última reunião, em março, o Copom (Comitê de Política Monetária) elevou em 0,75 ponto percentual a Selic, que foi a 2,75% ao ano, como resposta à escalada de preços observada desde setembro. A magnitude da alta veio acima das expectativas do mercado. Campos Neto reiterou que, segundo sinalizado na última decisão, o BC deverá subir 0,75 ponto percentual na próxima reunião, em maio. "Não vemos nada diferente de 0,75 ponto [na próxima reunião], que foi o que indicamos, a não ser que algo extraordinário aconteça, mas nada foi escrito em pedra, podemos enfrentar condições diferentes até lá", pontuou. Questionado sobre os efeitos de ruídos políticos na economia e sobre a coordenação entre o BC, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Campos Neto afirmou que a autoridade monetária está alinhada à pasta, mas não mencionou Bolsonaro. "A coordenação entre o Ministério da Economia e o Banco Central em tempos de crise precisa ser muito boa, estamos bem coordenados. Aprendemos com a crise de 2008 que precisamos que a política fiscal esteja alinhada à política monetária", respondeu.

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