Pequim - A Apple retirou milhares de aplicativos de jogos de sua loja virtual chinesa depois que a emissora estatal do país acusou a fabricante de demorar para remover o conteúdo proibido. A Televisão Central da China (CCTV, da sigla em inglês), controlada pelo governo, atacou a Apple este mês por hospedar aplicativos de bilhetes de loteria ilegais e falsos, que, segundo eles, resultaram em enormes perdas para usuários que foram enganados.
No domingo, a CCTV informou que a Apple retirou no início de agosto pelo menos 4 mil aplicativos atrelados à palavra-chave "jogos de azar". A fabricante americana confirmou a ação de retirada e disse que simplesmente cumpriu os regulamentos. Mas ressalta o ressurgimento de Pequim em todas as formas de conteúdo online de jogos para mídia social e serviços de vídeo, como também as dificuldades enfrentadas por empresas estrangeiras que fazem negócios na segunda maior economia do mundo.
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A fabricante americana tem muitas ações em jogo na China, seu maior mercado depois dos EUA, bem como a principal base de produção dos iPhones e iPads do mundo. Sua posição de mercado, no entanto, vem sendo atacada por um grupo de jogadores experientes da Huawei Technologies para a Xiaomi, que oferece aos usuários serviços com informações mais locais.
Em um comunicado, a Apple se posicionou: “Aplicativos de jogos de azar são ilegais e não são permitidos na App Store na China. Já removemos muitos aplicativos e desenvolvedores que distribuem aplicativos de jogos ilegais e estamos atentos em nossos esforços para encontrá-los e impedi-los de estar na App Store".
Essa maior investigação dos órgãos reguladores do governo coincide com a escalada da guerra comercial com os EUA, que cobra tarifas punitivas sobre produtos chineses no que é considerado uma tentativa de conter a ascendência do país asiático. O medo é que as crescentes tensões possam eventualmente estimular os consumidores chineses a boicotar produtos americanos, embora isso não tenha surgido em grande escala.
Mesmo que esses milhares de aplicativos representem pouco para a Apple, a resposta da empresa demonstra a posição complicada em que as companhias estrangeiras se encontram quando operam em um país que pode ser imprevisível em como tratam suas políticas de conteúdo. O relatório da Televisão Chinesa também serve como um lembrete oportuno para empresas como a Alphabet, vinculada à Google, que tenta conquistar um lugar no maior mercado mundial de serviços de Internet, mas geralmente se vê navegando por território estrangeiro.
A própria Apple entrou em conflito com reguladores chineses no passado. Em 2013, foi forçada a pedir desculpas e ajustar sua política de clientes depois que a CCTV acusou a empresa de padrões de serviço ruins. No ano passado, foi forçada a derrubar centenas de aplicativos de rede virtual privada em resposta à críticas sobre ferramentas para contornar os censores da Internet.

