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Após voto do relator, dólar mantém queda, a R$ 3,19, e Bolsa sobe 2% em nível recorde

RIO - No dia do julgamento do ex-presidente Lula, o dólar opera em queda de 1,45% nesta quarta-feira, a R$ 3,192, enquanto a Bolsa avança 1,92%, aos 82.249 pontos — primeira vez que o índice Ibovespa ultrapassa os 82 mil pontos. O movimento se intensificou pouco antes das 11h, com a leitura do voto do relator sobre o recurso do petista, entendido pelos operadores do mercado como contrário aos argumentos da defesa de Lula.

Os investidores seguem atentos ao tribunal de Porto Alegre mas são ajudados por uma conjuntura exterior benigna com mercados emergentes. Acompanhe ao vivo o julgamento. O mercado financeiro aposta na condenação de Lula, o que pode levar à sua inelegibilidade. Bancos e corretoras veem com maus olhos eventual eleição de Lula porque acreditam que isso levaria a mudanças na agenda econômica do governo.

Primeiro dos três desembargadores a votar no julgamento da apelação criminal do ex-presidente no caso do , o desembargador manteve a sentença do juiz Sergio Moro e aumentou para 12 anos e um mês de a pena do petista por corrupção e lavagem de dinheiro. Gebran ainda estabeleceu o início do cumprimento da pena no regime fechado e estipulou 280 dias-multa. Antes que a pena seja confirmada pelo , outros dois desembargadores precisam apresentar seus votos. Na sentença de setembro, Moro tinha condenado Lula a nove anos e seis meses de prisão.

Na avaliação de Juliano Ferreira, estrategista da BGC Liquidez, animou os investidores a velocidade com que o julgamento começou.

— O mercado de surpreendeu pelo ritmo acelerado, e todo mundo avaliou que aumentaram as chances de uma condenação unânime. Depois, viu-se que o voto do relator se estendeu por mais tempo, mas ele acabou se mostrando contundente — afirmou. — O cenário-base do mercado é de um 3 a 0 unânime.

O fato de o relator ter aumentando as penas, para Ferreira, abre espaço para interpretações:

— Por um lado, isso dificulta as chances de sua inegibilidade. Por outro, aumenta a probabilidade de haver uma divergência de pena e, assim, de a defesa apresentar um embargo infringente sobre a pena. Isso pode alongar um pouco o processo. Mas eu acho que o mercado não está ligando muito para isso, até porque há especialistas que argumentam que um recurso desse tipo não levaria necessariamente à suspensão da pena. E, além disso, não seria um embargo sobre o mérito da condenação, que, este sim, surpreenderia muito os investidores.

— O dólar está perdendo valor lá fora contra outras moedas, mas é claro que o mercado hoje opera completamente com base no julgamento do Lula. Pela manhã, o dólar afundou mais e a Bolsa ganhou mais fôlego. Na minha opinião, isso é provocado por investidores que começam a acreditar mais na possibilidade de uma condenação por 3 a 0. É o começo desse movimento. Pelo que o relator falou, ele indicou nitidamente que seu voto será pela condenação — afirmou Paulo Petrassi, da Leme Investimentos.

Hersz Ferman, analista da Elite Corretora, observou que, após abrir em alta, o índice Ibovespa manteve o mesmo patamar de valorização durante a apresentação da defesa do ex-presidente. Isso ocorreu entre 10h10m e 10h40m, período no qual a Bolsa ficou praticamente estacionada no patamar de 81.600 pontos (alta de 1,15%).

— O advogado de Lula fez uma série de acusações contra o juiz Sérgio Moro. Só que o relator, que o sucedeu, rebateu todas essas questões. O voto do relator parece ser bastante negativo para o Lula. Embora o mercado esteja em um dia bastante volátil, com muita especulação, entendo que isso acabou gerando algum viés positivo para os ativos brasileiros — disse Ferman.

No começo de seu voto, o desembargador João Pedro Gebran Neto rebateu ponto a ponto as críticas da defesa de Lula a Moro, .

As ações do Ibovespa sobem em conjunto, com apenas dois dos 64 papéis que integram o índice registrando desvalorização. O principal destaque da Bolsa são as ações da Eletrobras, cujo papel ordinário avança 3,75% (R$ 18,81), . Wilson Ferreira Júnior afirmou que as eleições não vão atrapalhar a privatização da empresa.

As ações da Petrobras também sobem com força, com o papel preferencial avançando 3,55%, por R$ 18,94. Na Vale, a alta é de 2,59%, a R$ 41,93.

As únicas quedas vêm de Fibria e Suzano, empresas do ramo de celulose que são prejudicadas pela desvalorização do dólar pois são majoritariamente exportadoras. Elas caem, respectivamente, 0,19% e 0,89%.

La fora, o índice Bloomberg Dollar Spot, que mede a força do dólar frente a uma cesta de dez moedas, cede 0,67%, depois de o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, dizer que a desvalorização da divisa favorece o comércio exterior dos EUA.

“Ativos locais devem ficar à espera do julgamento do ex-presidente Lula. É isto o que ditará os rumos dos ativos locais. À espera de uma condenação que minará a probabilidade de Lula se tornar um candidato à frente, acreditamos que o viés será positivo (bolsa em alta, e baixa em dólar e DIs). O exterior também é favorável para emergentes”, escreveu Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos.

Segundo Elaine Rabelo e Raphael Figueredo, da Eleven Financial Research, o placar do julgamento será decisivo para o comportamento do mercado.

“Investidores que trabalham com o placar de 3x0 pode ver a realização forte da bolsa e pressão de alta do dólar e juros futuros, caso a decisão não seja unânime”, escreveram em nota.

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