RIO - A supresa com o corte maior que o esperado dos juros no Brasil deu ânimo à abertura da Bolsa de Valores de São Paulo, que marca valorização de 3% nos primeiros minutos do pregão, com o Ibovespa a 64.430 pontos, maior patamar desde 9 de novembro. O dólar comercial abriu em queda e é vendido a R$ 3,163, com depreciação de 0,9%, nesta quinta-feira, em linha com o mercado global, repercutindo a decepção com o pronunciamento de Donald Trump, ontem, em que os temas econômicos ficaram praticamente sem espaço. Na mínima, a moeda americana chegou a R$ 3,159. O dólar não caia abaixo de R$ 3,16 desde 27 de outubro.
— O dia começa com forte alta nos mercados locais, seguindo a decisão do Copom (Comitê de Política Econômica do Banco Central) ontem à noite de baixar a taxa Selic em 0,75% para 13%. Apesar de uma aceleração do corte para 0,75% já ter sido parcialmente precificada, os mercados ainda estavam mais confiantes no 0,50% — diz Rafael Sabadell, gestor da GGR Investimentos. — Parte do mercado já migra para taxa Selic no final de 2017 abaixo de 10%, com corte para a próxima reunião de fevereiro de 1%.
No mercado internacional, a moeda americana tem recuo de 0,74%, conforme o Dollar Index Spot, índice que compara a divisa com uma cesta de dez moedas globais. Outras moedas emergentes também avançam contra o dólar. O peso chileno sobe 0,84%.
Ontem, a moeda americana recuou 0,21%, cotada a R$ 3,192, com investidores mais tranquilos após a fala de Trump. Antes de o novo ocupante da Casa Branca falar, a moeda americana teve alta e chegou a R$ 3,22.
O dia é de alta nas commodities. As notícias de que os membros da Opep começam a cortar a produção se aliam às expectativas de forte crescimento da demanda por petróleo na China se sobrepõem à elevação dos estoques dos EUA e levam à elevação das cotações. O barril do tipo WTI ganha 0,78% e o do Brent, referência para o mercado brasileiro, 0,94%.
O minério de ferro continua em ascensão: subiu 0,72% no porto de Qingdao, na China, acumulando 6,22% nos últimos cinco dias.
Na China, os principais índices acionários da China recuaram pela terceira sessão consecutiva, com os investidores mantendo a cautela antes do feriado do Ano Novo Lunar e com as empresas menores nas mínimas de dez meses. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,5%, enquanto o índice SSEC, de Xangai, teve queda de 0,55%. Os investidores chineses tendem a ter uma postura cautelosa com o Ano Novo Lunar se aproximando, dado o risco de estresse de liquidez no sistema financeiro. Ainda na Ásia, o índice Nikkei, de Tóquio, recuou 1,19%. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 0,46%.



