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Após forte expansão, carteira de consignado do Master reduziu 64% em um ano

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando o banqueiro Daniel Vorcaro assumiu o controle do antigo Banco Máxima, que passou a se chamar Master em 2019, a instituição financeira iniciou um rápido processo de expansão de sua carteira de crédito consignado. O balanço divulgado logo após o anúncio de compra do banco pelo BRB (Banco de Brasília), porém, mostra um desmonte de posição em um ano, com queda de 64% na carteira de consignado após a transferência de ativos.

Conforme a Folha noticiou, investigadores que atuam na operação que resultou na prisão de Vorcaro suspeitam que o Master tenha usado o negócio com o BRB (Banco de Brasília) para esconder a fabricação de carteiras falsas de crédito consignado.

A operação com o BRB acabou não se concretizando porque o Banco Central vetou o negócio ao enxergar risco de sucessão para a estatal de Brasília.

Segundo um relatório da administração do ainda Banco Máxima de 2019, a instituição financeira começou naquela época a direcionar foco para novas formas de distribuição de crédito, destacando o consignado e o microcrédito.

Em 2021, quando houve a primeira demonstração financeira da instituição já como Banco Master, a carteira de consignado somava R$ 754,6 milhões.

Um ano depois, ao final de 2022, os empréstimos consignados do banco triplicaram, somando R$ 2,2 bilhões. A alta é de quase 200%.

Na época, a instituição financeira justificou o salto em sua demonstração financeira dizendo que havia conseguido autorização para captar créditos consignados no âmbito municipal, estadual e federal. "Destacamos a abertura destes novos convênios no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo", disse à época.

Em 2023, houve uma nova expansão da carteira, para R$ 2,5 bilhões, alta de 15,6%.

Um ano depois porém, a demonstração financeira referente a 2024 mostra que o banco teve uma baixa considerável nessa linha do balanço, de 64%, com os créditos consignados passando a somar R$ 919 milhões.

O balanço diz que em 31 de dezembro de 2024 a instituição vendeu R$ 2,2 bilhões com a transferência de sua carteira de consignado, mas não informa quem seria o comprador (ou os compradores).

Ao mesmo tempo, o lucro líquido do banco dobrou, passando de R$ 532 milhões ao final de 2023 para R$ 1,068 bilhão em dezembro de 2024. Se considerar o desempenho de 2021, quando o banco registrou lucro de R$ 138 milhões, o salto foi de 87% em três anos.

Segundo reportagem da Folha, investigadores apontam que as carteiras de consignado do Master, formadas com tomadores de crédito inexistentes, foram vendidas ao banco de Vorcaro e, por fim, compradas pelo BRB em dezembro do ano passado. No início do ano, a supervisão do Banco Central identificou que existiam operações estranhas na cessão dessas carteiras.

Procurado, o Banco Master não se manifestou até a publicação da reportagem.

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