RIO - Após fechar ontem no maior valor em um mês, o dólar opera nesta sexta-feira em queda 1,23%, negociada a R$ 3,115. Na véspera, . Hoje, o câmbio local acompanha o desempenho de queda do dólar contra as principais moedas do mundo, que não foi abalado pela declaração da presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) de que um aumento de juros no país este mês será “provavelmente apropriado”. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem um pregão de alta, depois de ter registrado queda de 1,69% ontem. O Ibovespa, índice de referência, sobe agora 1,38%, aos 66.756 pontos.
A presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Janet Yellen, afirmou nesta sexta-feira que seria “provavelmente apropriado” elevar a taxa básica de juros do país ainda este mês, caso o emprego e a inflação sigam evoluindo como esperado pela autoridade monetária.
Há apenas uma semana, a maioria dos investidores apostava que a taxa ficaria inalterada na reunião dos dias 14 e 15. Mas declarações recentes de membros do Fed fizeram com que os operadores de mercado chegassem ao consenso de que os juros serão elevados pela autoridade monetária. Os mercados veem agora uma probabilidade de 92% de uma alta em março, contra 40% uma semana atrás.
— O mercado não sofreu grandes mudanças porque o mercado já vinha colocando na conta esse aumento da taxa de juros, devido a várias declarações de presidentes regionais do Fed. No cenário político interno, a Bolsa e o câmbio devolveram parte das perdas de ontem ao entender que o depoimento de Marcelo Odebrecht não implica diretamente o presidente Michel Temer, possibilidade que havia gerado estresse na véspera — afirmou Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença. — Além disso, os setores financeiro e de mineração e siderurgia ganharam alguma força à tarde com a melhora dos seus pares no exterior.
Na Europa, as ações abriram em queda mas se recuperaram puxadas por papéis de companhias francesas depois de uma pesquisa mostrar o candidato centrista Emmanuel Macron, que disputa como independente, ultrapassar a candidata da extrema-direita Marine Le Pen pela primeira vez nas intenções de voto. De acordo com pesquisa de opinião realizada pela firma Odoxa, Macron aparece com 27% das intenções de voto no primeiro turno, contra 25,5% de Le Pen.
O índice de referência do continente, o Stoxx Europe 50, subiu 0,55%, enquanto a Bolsa de Paris avançou 0,63%. O CAC 40, índice de referência de Paris, fechou aos 4.995 pontos mas chegou a ultrapassar os 5 mil pontos nesta sessão com a notícia sobre as pesquisas eleitorais, o que não acontecia desde novembro de 2015. A Bolsa de Londres, porém, caiu 0,11%, e a de Frankfurt, 0,27%.
No Brasil, as maiores altas vêm dos bancos. O Itaú Unibanco sobe 0,78% (R$ 39,85), enquanto o Banco do Brasil avança 2,19% (R$ 33,99), e o Bradesco, 0,91% (R$ 33,30). A Petrobras também sobe: o,81% nas ONs (R$ 15,99) e 0,99% nas PN (R$ 15,26).
A Vale, que era um dos destaques pela manhã, agora avança pouco. A mineradora sobe 0,10% (ON, com voto, a R$ 31,49), enquanto a PNA, sem voto, opera estável, a R$ 30,32.
No mercado de câmbio, o Banco Central não promoveu qualquer intervenção na sessão desta sexta-feira. Em abril, vencerão US$ 9,711 bilhões em contratos de swap cambial, que equivalem à venda futura de dólares e contribuem para desvalorizar a divisa americana. Com a alta recente do dólar, os investidores estão atentos à possibilidade de o BC “rolar” (prolongar seu vencimento) esses contratos.
A recuperação da Bolsa e do real se dá apesar do turbulento cenário político. Os reforçaram as suspeitas sobre doações em caixa 2 para a chapa Dilma-Temer. O testemunho do empreiteiro Marcelo Odebrecht, na quarta-feira, em Curitiba, envolveu o nome da ex-presidente da República, revelou mais detalhes sobre repasses ao PMDB do atual presidente Michel Temer e atingiu o senador Aécio Neves, do PSDB, partido autor do processo que pede a punição da chapa vencedora na disputa presidencial em 2014.



