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Anúncio de Jucá sobre Previdência causa mal-estar no governo

BRASÍLIA — O anúncio do líder do governo no Senado, (PMDB-RR), de que a não será votada nesta ano — — causou mal-estar no governo e entre líderes da base na Câmara dos Deputados, que foram pegos de surpresa pela .

Interlocutores do presidente admitem que o governo "trabalha com dados da realidade" e sabe que provavelmente a matéria ficará de fato para 2018. As declarações de Jucá, no entanto, "causaram uma confusão desnecessária".

Segundo pessoas próximas a Temer, Jucá conversou nesta quarta-feira com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que combinou com o parlamentar apenas a orientação de votar o Orçamento nesta quarta. Apesar da consciência de que hoje a reforma da Previdência não tem os votos necessários, Temer e seus aliados próximos avaliavam que há uma melhora no cenário, após o PSDB fechar questão a favor da reforma e o DEM sinalizar que seguirá na mesma direção.

— Não tinha e nem teve esse acordo para o Jucá falar em adiar a votação. Não havia definição ainda, houve uma precipitação do senador. O presidente estava na sala de cirurgia quando Jucá disse isso, claro que não foi combinado — afirmou um aliado próximo do presidente.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, destacou que a reforma da Previdência está na Câmara e ainda não chegou ao Senado — indicado que Jucá não teria ingerência nesse assunto.

— Essa questão está na Câmara dos Deputados — disse Moreira ao GLOBO.

Segundo ele, a decisão sobre a data da votação será anunciada nesta quinta-feira, em uma reunião entre o presidente Michel Temer e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), depois de uma avaliação realista do número de votos a favor da reforma. O encontro deve ocorrer no início da tarde. Temer voará direito de São Paulo para Brasília, assim que receber alta hospitalar. Moreira disse que essa reunião já estava marcada.

Segundo ele, o relator da proposta, deputado Arthur Maia (PPS-BA) deverá ler o novo texto da reforma no plenário da Câmara nesta quinta para dar início às discussões — antes da reunião com Temer.

O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que também não sabia do acordo, e confirmou que só haverá uma definição após a reunião entre Temer, Maia e Eunício.

— Não posso ter aqui uma posição que me foi orientada. O que ficou definido é que teria um encontro dos presidentes da Câmara e do Senado com o presidente (na quinta-feira). Para mim, não está decidido. Se há um acordo, esse acordo não me foi comunicado _ ressaltou Aguinaldo.

Rodrigo Maia reforçou que não há acordo e disse que espera o retorno de Temer a Brasília para uma definição:

— Ainda não houve o acordo. O presidente Temer está em São Paulo. É claro que a gente sabe que votar na semana que vem não é fácil. Mas amanhã vamos estar preparados para ler o relatório do acordo. Entendeu de forma errada. O que conversei com o Eunício é que ele quer terminar o Orçamento hoje, disse que a Câmara vai continuar trabalhando na próxima semana e que podíamos sentar amanhã cedo para conversarmos com o Michel sobre como foi o ano e a questão da Previdência. Como o presidente viajou, estou esperando ele voltar para entender se o governo tem os números necessários para poder votar a Previdência já na próxima semana —disse Rodrigo Maia.

Fontes envolvidas pelo GLOBO disseram que Temer discutiu a possibilidade de adiamento da reforma para fevereiro durante jantar na casa do presidente do Senado na terça-feira. De forma reservada, o governo conta com apenas 230 votos, número muito distante dos 308 necessários para aprovar a proposta. Jucá também participou do jantar.

— O que o Jucá disse não estava alinhado com as lideranças na Câmara. Mas, certamente, ele não falou bobagem — disse um líder da base.

Segundo essa fonte, depois da fala de Jucá, dificilmente, o governo conseguirá reverter o cenário, ainda mais se o Congresso aprovar o orçamento de 2018.

O líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB), deu como certo o adiamento. O partido, inclusive, cancelou uma reunião marcada para quinta-feira sobre fechamento de questão na votação da proposta.

— Não tem razão de decidir agora se ficou para fevereiro — disse Efraim.

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