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Aneel quase dobra projeção de aumento da conta de luz em 2025

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) elevou para 6,3% a projeção de aumento médio na conta de luz dos brasileiros em 2025. A nova estimativa é quase o dobro da anterior, feita em março, quando a agência esperava alta de 3,5%.

A alta, segundo a agência, foi provocada pela elevação de gastos da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) que custeia subsídios e o custo de geração de energia em sistemas isolados da rede de transmissão.

A agência afirmou que a nova projeção considera o orçamento aprovado para a CDE em julho, de R$ 49,2 bilhões. O valor supera em R$ 8,6 bilhões a projeção inicial feita pela Aneel, com aumentos principalmente nos subsídios à geração distribuída de energia (mais R$ 2,6 bilhões) e a usinas a diesel e carvão (R$ 2,3 bilhões).

Houve alta também na projeção de gasto com o rateio da tarifa social de energia, que ficou R$ 1,1 bilhão mais alto com a isenção da conta de luz à baixa renda implantada pela MP 1.300, editada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em junho. O governo espera compensar esse feito com a redução dos subsídios a renováveis e a abertura do setor à competição.

O orçamento da CDE para 2025 é 32% superior ao verificado em 2024, pressionado principalmente pelos descontos a renováveis: alta de R$ 3,8 bilhões em subsídios a grandes projetos de energia incentivada e alta de R$ 2 bilhões no rateio de descontos dados a quem tem painel solar em casa.

O impacto da alta da CDE varia por região e tipo de consumidor, diz a Aneel. Para consumidores cativos, aqueles que são atendidos pelas distribuidoras de energia, o efeito médio nas tarifas de energia será um acréscimo de 3,85% no Norte e Nordeste e de 5,76% no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

"Esse efeito já foi parcialmente observado em revisões e reajustes [nas tarifas das distribuidoras] realizados no primeiro semestre, embora as tarifas calculadas no período precisem ser recalibradas para corresponder ao valor final do encargo", afirmou a agência no boletim Info Tarifa de agosto.

O boletim estima que, ao fim de 2025, quase 20% da conta de luz será destinada ao pagamento dos encargos. É a parcela que mais cresceu nos últimos 15 anos, com alta acumulada de 268%, o dobro da alta acumulada dos custos de geração e distribuição de energia.

A Aneel afirma ainda, no texto, que a conta de luz deve permanecer até o fim do ano pressionada pelas bandeiras tarifárias cobradas para bancar o uso de térmicas e poupar água nos reservatórios das hidrelétricas.

"Com afluências abaixo da média em todo o país observa-se redução na geração das hidrelétricas", afirmou. "Esse cenário eleva os custos de geração de energia, devido à necessidade de acionamento de fontes mais caras, como as usinas termelétricas."

Já em agosto, a agência acionou o patamar máximo das bandeiras: vermelha nível 2, que adiciona R$ 7,87 a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos. A perspectiva é que a bandeira só volte a ser verde, sem cobrança adicional, em dezembro.

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