SÃO PAULO – Sem a aprovação da reforma da Previdência, o fantasma de um novo rebaixamento da nota de crédito volta a assombrar o país. Analistas acreditam que as três principais agências de classificação de risco - Fitch, Standard & Poor's e Moody's - devem aguardar pelo menos até fevereiro, data em que o governo acredita que terá arrebanhado votos para aprovar o texto. Se nada acontecer, o mercado dá como certa essa decisão. Para as agências, a janela de aprovação da reforma está se fechando, considerando que 2018 é um ano eleitoral e muitos interesses políticos estarão em jogo.
Um novo rebaixamento é uma sinalização muito ruim à comunidade internacional e a investidores que querem aportar recursos de longo prazo no país. Mostra que o país não está conseguindo arrumar a casa do ponto de vista fiscal. O Brasil já está classificado num nível especulativo pelas agências e a perspectiva de sua nota é negativa. Com isso, o país já não faz parte do grupo de nações que têm o selo de 'bom pagador' e sofre restrições de grandes fundos de investimento. Esses fundos têm limitações para aplicar recursos em ativos de países com grau especulativo. Além disso, com a alta de juros nos Estados Unidos, recursos que vinham para países emergentes, como o Brasil, tendem a migrar para os títulos americanos.
A nota ruim do Brasil já faz o governo brasileiro e as empresas nacionais pagarem juros mais altos quando querem captar recursos no exterior. Se ela piora, dizem os analistas, os juros cobrados em novos empréstimos ou emissões de papéis tendem a ficar mais altos também. Isso pode ser uma trava para empresas que faziam planos de captar dinheiro para novos investimentos.
Além disso, em ano eleitoral, muitas companhias tendem a adiar sua decisões de aumentar a produção ou construir novas fábricas à espera das diretrizes econômicas do novo governo. E, para piorar, uma parte das empresas ainda está encontrando dificuldades para acertar seu caixa. Estavam muito endividadas e foram apanhadas pelas recessão dos últimos três anos.
Por enquanto, o consumo das famílias vem mantendo o ritmo de recuperação da economia e isso pode se manter em 2018. A renda das pessoas melhorou com queda da inflação, o mercado de trabalho se recupera e massa salarial começa a crescer. Mas sem a volta do investimento não há como retomar uma trajetória de crescimento econômico consistente. A avaliação do mercado é, se a miopia política do Congresso continuar, as consequências para a recuperação econômica vão chegar, cedo ou tarde.

