Campos Neto defendeu, por exemplo, carteiras offline para pequenos pagamentos, mas ponderou que os bancos ainda não investiram nessa frente. Segundo ele, as pessoas poderiam transferir pequenas quantias e usá-las sem a necessidade de estarem conectadas.
O presidente do BC avaliou ainda que o Pix, ferramenta de pagamentos instantâneos, deveria ter menos cliques para cada transação e que poderá ter mais funcionalidades. Ele também mencionou a necessidade de carteiras digitais e afirmou que há duas empresas que estão trabalhando nessa frente.
"Depois de integrar todos os seus dados financeiros, suas transações, tudo o que você faz, será armazenado em uma carteira digital e então você poderá monetizá-la", explicou. "E queremos adicionar muito mais recursos no Pix. As oportunidades são infinitas", acrescentou. Segundo ele, o Pix já é mais popular que todos os outros meios de pagamentos no Brasil. Na semana passada, a ferramenta atingiu cerca de 170 milhões de transações em apenas um dia.
Mudanças nos juros do cartão de crédito vem sendo alvo de discussões no governo e entre bancos e operadoras de "maquininhas" Foto: Thiago Teixeira / Estadão
Ele afirmou ainda que o Brasil está desenvolvendo o maior sistema de open finance que existe. Trata-se de uma plataforma que permite o compartilhamento de informações de clientes entre as instituições financeiras. De acordo com Campos Neto, o objetivo é que os usuários possam, no futuro, comparar as taxas cobradas por diferentes instituições financeiras em tempo real.
Sobre o Drex, projeto de real digital, afirmou que deve estar pronto em até um ano e meio. Segundo ele, o projeto brasileiro é mais barato e simples pelo fato de ser apenas um token. Além disso, o real digital também pode se valer da regulamentação já existente e o BC não vai precisar criar novas regras.
Em sua avaliação, se for possível conectar moedas digitais de países, será possível ter o mesmo efeito de uma moeda comum. "A moeda digital trará muito mais eficiência para os bancos", projetou. O presidente do BC admitiu ainda que o Drex não é um "bom nome" em algumas línguas, mas é tarde para trocar. "Alguns judeus disseram que Drex não é um bom nome. Mas não é Drek, é Drex", explicou.
Campos Neto está em Miami, nos Estados Unidos, para receber o Prêmio Bravo Beacon of Innovation pelo Pix. A iniciativa reconhece a excelência e a liderança nos negócios e em políticas no Ocidente.

