SÃO PAULO - Os mercados financeiros estão cautelosos em relação às incertezas geopolíticas agravadas pelo ataque dos Estados Unidos à Síria. Os principais indicadores de ações operam em queda, mas a recuperação dos preços do petróleo impede perdas ainda maiores. No Brasil, O Ibovespa iniciou os negócios no terreno negativo, mas passou a subir 0,79%, aos 64.736 pontos. Já o dólar comercial registra queda de 0,73% ante o real, cotado a R$ 3,123, na contramão do mercado internacional.
Luís Gustavo Pereira, analista chefe da Guide Investimentos, o preço do petróleo começou a subir pelo temor da restrição de oferta do óleo como uma consequência do ataque, quinta à noite, dos Estados Unidos à Síria. Com a valorização do óleo, as ações das empresas do setor começaram a subir, melhorando o desempenho de alguns indicadores.
— O petróleo está subindo por conta do temor de restrição de oferta. Esse segmento, na Bolsa, está limitando as perdas causadas por outros setores. O pior momento desses ataques, no mercado, ficou para trás — disse.
O petróleo registra alta de 0,40%, cotado a US$ 55,11 o barril do tipo Brent.
Nos Estados Unidos, os principais indicadores estão perto da estabilidade, após as perdas da abertura dos negócios. Dow Jones tem leve alta de 0,04% e Nasdaq cai 0,07%. O S&P500 está estável. Na Europa, o DAX, de Frankfurt, o CAC 40, da Bolsa de Paris, têm perdas de 0,22% e 0,08%. Já o FTSE 100, de Londres, sobe 0,48%.
Os investidores aguardam por novas notícias sobre o possível agravamento do conflito e as próximas declarações do presidente americano, Donald Trump. “A reação dos mercados às notícias do ataque americano na Síria é de cautela, com as Bolsas oscilando pouco, sem um sinal definido. O dia deve ser de expectativa sobre o desenrolar da crise iniciada pelo ataque químico de terça-feira”, avaliaram, em relatório a clientes, os analistas da Coinvalores.
No Brasil, as ações da Petrobras sustentam a alta. As preferenciais sobe 2,06% e as ordinárias, 1,17%.
No caso dos bancos, que têm maior peso no Ibovespa, o pregão também é de alta, com Itaú Unibanco subindo 1,35% e Bradesco com valorização de 1,10%.
Outro fator que ajuda o desempenho dos ativos no Brasil, além da valorização do petróleo, é os dados de emprego nos Estados Unidos, que não vieram tão fortes quanto o esperado e afastam o risco de uma alta mais intensa dos juros nos Estados Unidos. Com isso, o dólar comercial cai na contramão do mercado externo - o “dollar index” registra valorização de 0,22%.

