RIO - Apesar da recente queda na cotação internacional do minério de ferro, o preço do produto deve se manter mais elevado que no ano passado ao longo deste ano, estimam analistas, com reflexos positivos para o balanço das mineradoras e as exportações brasileiras.
No primeiro trimestre de 2017, o preço médio do minério de ferro entregue na China — referência no mercado internacional — teve alta de 76% ante igual período do ano passado. Passou US$ 48,57 a tonelada para US$ 85,63 a tonelada. Esse será um dos principais fatores que vão impulsionar o resultado da Vale no primeiro trimestre, que será divulgado nesta quinta-feira.
Segundo a Bloomberg, o lucro líquido da companhia vai atingir R$ 8,2 bilhões, considerando a média das estimativas de quatro analistas. Caso se confirme, o montante será 30% superior ao registrado no primeiro trimestre de 2016 (R$ 6,3 bilhões).
— A Vale teve recorde de produção para um primeiro trimestre e a média de preços foi maior, comparada ao ano passado. Isso favorece a companhia. Mesmo com a recente queda na contação, acreditamos que os preços em 2017 fiquem acima do praticado em 2016, beneficiando a indústria da mineração — disse Rodolfo de Angele, analista de mineração do JPMorgan.
Ele estima que o preço médio do minério de ferro em 2017 fique em US$ 82, bem acima da média do ano passado (US$ 58,32). O maior apetite da China pelo minério é o que vem elevando a demanda e permitindo a recuperação de preços. No ano, porém, a cotação acumula queda de 15%, retornando ao patamar de US$ 60, após ter atingico o pico de US$ 94 em fevereiro.
A alta da commodity também vai beneficiar as exportações brasileiras, já que o minério de ferro é um dos principais itens da pauta. Na estimativa da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a receita com os embarques do minério este ano devem somar US$ 21,5 bilhões, considerando venda de 390 milhões de toneladas.
No ano passado, o Brasil exportou 374 milhões de toneladas de minério de ferro, que lhe renderam US$13,289 bilhões. Se a projeção da AEB se confirmar, o salto na receita com as exportações do produto será de 61%.
— Com esta receita projetada e, dependendo do comportamento da cotação da soja (em queda neste momento), o minério pode retomar a posição de maior exportador, perdida nos últimos dois anos para a soja — disse José Augusto de Castro, presidente da AEB.

