Início Economia Alesp inicia discussão da reforma que cria bônus por resultado de servidor
Economia

Alesp inicia discussão da reforma que cria bônus por resultado de servidor

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) inicia nesta terça-feira (21) a discussão sobre o PLC (Projeto de Lei Complementar) 26, que altera diversas regras do funcionalismo estadual. A votação está prevista para quinta-feira (23). O governador João Doria (PSDB) enviou o texto com regime de urgência à Casa em agosto.

Os deputados começam a discutir o tema às 19h desta terça. O debate pode ser acompanhado pela Rede Alesp na TV, no Youtube ou nas redes sociais.

A reforma administrativa, tida como uma antecipação das alterações que devem ser propostas no âmbito federal pelo presidente Jair Bolsonaro, é alvo de críticas por parte dos servidores desde que foi apesentada por Doria.

Na avaliação de Maria Izabel Azevedo Noronha, a professora Bebel, presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), a PLC é um retrocesso para os funcionários públicos do estado, uma vez que abre precedente para o fim da estabilidade e dos concursos público.

"O que está em curso é a verdadeira destruição do funcionalismo público no estado de São Paulo. Desta forma, poderá haver uma evasão de servidores, prejudicando a população", afirma Bebel.

Ainda em agosto, pelo menos 30 entidades do funcionalismo, entre sindicatos, associações e federações, assinaram uma carta enviada à Alesp pedindo a retirada ou rejeição do PLC 26.

"A trajetória deste governador tem sido de destruição. Somente quem jamais precisou de educação, saúde, moradia, transporte, assistência social, segurança e outros serviços públicos pode investir tanto no seu desmonte e na desqualificação dos servidores e servidoras públicos", diz trecho da carta.

BONIFICAÇÃO POR RESULTADOS

Uma das principais mudanças é a criação da bonificação por resultados, que já é usada em algumas secretarias, como Educação e Fazenda e Planejamento. O modelo prevê o pagamento de bônus aos servidores de órgãos públicos e autarquias que avancem na carreira entre um ano e outro.

A justificativa é a valorização do servidor público, "fazendo-o sentir-se mais próximo e co-responsável pelos feitos alcançados pela administração pública", justifica o texto enviado à Alesp.

Apenas militares e servidores da Segurança Pública, das universidades estaduais, auditores fiscais da Receita Federal e procuradores não serão avaliados pelo método.

OUTRAS MUDANÇAS

O projeto também propõe o fim das faltas abonadas -atualmente, os servidores podem ter até seis faltas abonadas por ano, sem a necessidade de apresentar documento legal justificando a ausência.

Além disso, o texto extingue o reajuste do adicional de insalubridade com base no IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e revoga a possibilidade de pagamento dessa "vantagem" nos afastamentos por meio de licença-prêmio.

Outra medida é a redução de 30 para 15 dias seguidos do número de faltas que caracteriza abandono do cargo. Com isso, o servidor pode ser demitido ao se ausentar sem justificativa. A proposta reduz ainda de 30 para 25 dias o número de faltas, no prazo de cinco anos, que garante o direito à licença-prêmio.

Se aprovado, o PLC criará a CGE (Controladoria-Geral do Estado), congregando as funções de auditoria, ouvidoria, corregedoria e controladoria "tal como se dá no âmbito federal com a CGU [Controladoria-Geral da União]".

"Recomendada pelos Tribunais de Contas, a organização de uma Controladoria permite maior eficiência e resultados ainda mais expressivos ao sistema de controle interno estabelecido pela Constituição", justifica o texto.

Uma das medidas da proposta é a alteração da lei 1.093, de 16 de julho de 2009, que trata sobre a contratação de temporários no estado de São Paulo, incluindo professores. Se for aprovada, a nova regra permite contratar professores, agentes de saúde e demais servidores por motivos de calamidade pública, greve que "perdure por prazo não razoável" ou que seja considerada ilegal pela Justiça.

No caso dos professores, a contratação de temporários limita as horas de trabalho a 24 horas semanais na rede estadual de modo geral. Para o ensino superior, o trabalho do docente temporário não poderá exceder 12 horas por semana.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?