BUENOS AIRES - Os negociadores do Mercosul e da União Europeia (UE) voltaram a se reunir nesta terça-feira em Buenos Aires, em paralelo à XI Conferência Ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC), mas ainda não existe data certa para o anúncio de um acordo de livre comércio entre os dois blocos. Segundo informou o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, “ainda há trabalho a ser feito, sobretudo do lado da UE”.
Até a segunda-feira, existia a expectativa de comunicação de um provável entendimento ainda na capital argentina, no âmbito do encontro da OMC, que termina nesta quarta-feira. No entanto, apesar do empenho dos países do Mercosul, as negociações ainda precisarão de um tempo razoável para serem encerradas e não está claro sequer se o acordo poderá ser anunciado na próxima cúpula de presidentes do Mercosul, no próximo dia 21 de dezembro, em Brasília.
- Nós tínhamos nos comprometido a entregar pontos sobre até onde queríamos que eles (os europeus) viessem até nossa direção e também até onde nós iríamos na direção deles. Agora estamos esperando a reação para verificar se é possível e quando é possível concluir a parte mais difícil da negociação que é o acesso aos mercados _ explicou Nunes.
Segundo ele, foi “pedido a UE que nos propusesse um programa de trabalho”.
- Eles garantiram que vão estudar com visão muito positiva tudo o que apresentamos, mas eles evidentemente tem um mecanismo mais complexo de consultas - apontou o ministro.
A novidade, por parte do Mercosul, foi chegar até 90% de desgravação do comércio com a UE. Faltavam alguns elementos e a lista foi completada em Buenos Aires.
- Boa parte dos produtos se compra nos supermercados - respondeu Nunes, quando foi perguntado sobre que produtos o bloco incluiu na lista para alcançar os 90% que foram prometidos a UE.
O acordo, que os quatro governos do Mercosul acreditam que será selado em breve, permitirá aos países ter acesso a um mercado de 750 milhões de habitantes. Será um dos entendimentos mais importantes da História do bloco.

