SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Ainda Estou Aqui", filme de Walter Salles protagonizado por Fernanda Torres, quebra barreiras artísticas e econômicas, Trump fala grosso com o Federal Reserve em Davos e outros destaques do mercado nesta sexta-feira (24).
**AINDA ESTOU AQUI (FATURANDO)**
Você viu que, na manhã de ontem, o filme Ainda Estou Aqui conquistou três indicações ao Oscar?
As mais esperadas eram melhor filme estrangeiro e melhor atriz para Fernanda Torres, que interpreta a protagonista, Eunice Paiva. A surpresa veio com o anúncio de que o longa estava no páreo na categoria de melhor filme.
O sucesso que o longa fez no país de origem ajudou (e muito) a conquistar as láureas lá fora. Aclamado pela crítica, ele acumula também ótimo desempenho comercial. Vamos às cifras...
BILHETERIA
3,5 bilhões de pessoas assistiram ao filme no Brasil, onde faturou R$ 70 milhões.
Nesta semana, estreou em Portugal como o filme mais assistido.
Nos EUA, sucesso sendo exibido em apenas cinco salas em Los Angeles em Nova York, faturou US$ 125 mil (R$ 740 mil) e liderou as bilheterias americanas no quesito média de faturamento por sala.
Significa que foi o longa que vendeu, em média, mais ingressos que os outros filmes em cartaz. Proporcionalmente, tinha as salas mais cheias.
DE VOLTA AOS TRILHOS
As bilheterias dos cinemas no Brasil ainda não voltaram ao patamar de antes da pandemia, mas estão melhorando aos poucos.
As salas de cinema brasileiras venderam R$ 2,5 bilhões em 2024, um crescimento de 10% em comparação com o ano anterior. O público cresceu 9%, segundo dados da Comscore Movies.
REPERCUSSÃO
O filme dirigido por Walter Salles também diretor de Central do Brasil e estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello gerou burburinho lá fora, a tal ponto que a obra literária que inspirou o roteiro também ganhou seus louros.
A obra Ainda Estou Aqui, escrita por Marcelo Rubens Paiva, será editada nos EUA e no Reino Unido e sairá nos dois países pela editora Charco Press em 2026.
Os primeiros contratos para a publicação no exterior saíram depois da estreia do filme no Festival de Veneza. Saiu em Portugal pela editora Dom Quixote e será traduzido na Itália pela La Nuova Frontiera, ainda em 2025.
**TRUMP QUER BAIXAR JUROS... NA MARRA**
Donald Trump está usando seus primeiros dias de mandato para falar tudo o que pretende fazer nos quatro anos adiante.
Com a queda dos preços do petróleo, exigirei que a taxa de juros caia imediatamente e, da mesma forma, elas deveriam cair no mundo todo", disse em discurso no Fórum Econômico Mundial.
Pode isso, produção? Não. O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, é uma instituição independente do poder Executivo. Do Legislativo e do Judiciário, também.
A única interferência do presidente na autarquia é a indicação do presidente, que exercerá seu mandato independentemente da troca de líderes.
Jerome Powell, atual presidente do banco, foi indicado por Trump em seu primeiro mandato e deixa o cargo em 2026.
O Fed vai ouvir? Provavelmente não. É o que esperam os especialistas ouvidos pela Folha, pelo menos.
A expectativa do mercado é de que o Fomc, comitê de política monetária da instituição, mantenha a taxa de juros no patamar em que está 4,25% a 4,5% ao ano ou faça reduções de baixa magnitude.
Por que? A pressão inflacionária diminuiu um pouco, mas não o suficiente para fazer cortes grandes, segundo a leitura do mercado dos anúncios do Federal Reserve.
O mercado de trabalho permanece aquecido, outro fator que dificulta uma redução na taxa básica de juros, na visão econômica adotada pelo banco.
Quando a inflação está alta e o mercado de trabalho competitivo, é provável que o preço das coisas continue subindo (e da mão de obra também). Manter os juros em um patamar alto é uma forma de tentar segurar a alta.
MAIS CUTUCÕES
Trump proibiu por decreto que o Federal Reserve desenvolva uma moeda digital como o Drex brasileiro.
Lembrete: moedas digitais não são criptomoedas. Você pode entender melhor a diferença aqui.
A medida proíbe criar, emitir ou promover uma moeda digital proveniente de um banco central e determina pôr fim a todo trabalho vinculado a esta possibilidade.
**PIBÃO DO AGRO AMEAÇADO?**
A China parou de receber embarques de soja brasileira de cinco empresas depois de cargas serem enviadas com revestimento de pesticidas e de pragas.
Terra Roxa Comércio de Cereais, Olam Brasil, C.Vale Cooperativa Agroindustrial, Cargill Agricola SA e ADM do Brasil são as companhias atingidas, segundo reportagem da Reuters, que primeiro noticiou a situação.
O Ministério da Agricultura confirmou que recebeu uma notificação de não conformidade da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês), mas não revelou quais as empresas atingidas.
É um problema? Mais ou menos. Uma interrupção nos envios é sempre ruim, ainda mais de gigantes como a Cargill e a ADM.
Juntas, elas responderam por cerca de 30% das 73 milhões de toneladas embarcadas no Brasil para a China em 2024, segundo a Cargonave.
Mas especialistas ouvidos pela Reuters esperam que a suspensão dure pouco.
A abrangência dela é menor do que o especulado quando chegaram as primeiras informações. Estão bloqueadas unidades dessas cinco empresas, mas elas podem exportar usando outros CNPJs que também as pertencem.
Mesmo assim o agronegócio aposta que 2025 será um ano muito bom para a soja.
Explicamos em mais detalhes na edição de 15 de janeiro desta newsletter (que você pode ler aqui), mas vai um resumo.
Em 2024, a soja perdeu a medalha de ouro nas exportações brasileiras. A oleaginosa foi ultrapassada pelo petróleo, que levou a melhor na disputa para ser o produto mais exportado do país.
Os produtores projetam uma safra melhor e um cenário melhor para este ano e desejam, claro, recuperar o primeiro lugar.
A China é a maior compradora da soja do Brasil, que por sua vez, é o maior exportador do produto. Perder vendas para o país asiático não é bom, nem que sejam poucas.
**PARA LER**
Limite de Caracteres: Como Elon Musk Destruiu o Twitter
Kate Conger e Ryan Mac. Todavia. 488 páginas.
O nome Elon Musk foi escrito algumas (muitas) vezes nesta newsletter durante a primeira semana da nova era Trump nos EUA.
Talvez você esteja cansado de saber sobre a figura, ou esteja ainda mais curioso para entender como viemos parar aqui com bilionário da tecnologia ocupando um cargo no governo americano.
Este livro ajuda a responder a essa e a algumas outras perguntas sobre Musk e sua relação com as redes sociais, sobretudo o X, rede que criou a partir da compra do Twitter.
A obra foi escrita por dois jornalistas americanos que cobrem tecnologia no The New York Times.
A partir da leitura, você pode criar sua opinião sobre o título: Elon Musk destruiu o Twitter ou não?
**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**
As promessas da taxação em série de Trump confundem os investidores sobre o dólar, que seguiu abaixo de R$ 6.
Já os executivos brasileiros em Davos viram o discurso do presidente dos EUA como mais ameno do que esperavam.
🇺🇸 As pretenções de Trump assustam as empresas americanas. Algumas começam a pensar em uma saída do mercado da China.
O Nubank ultrapassou o Itaú em número de clientes. Tem 100,77 milhões, e o bancão acumula 98,5 milhões. O roxo tinha ultrapassado o laranja em valor de mercado em maio de 2024.
🇦🇷 Javier Milei tenta agradar a agricultura argentina e derruba impostos de exportação do campo.

