RIO - A Vale deu mais um passo na sua reorganização societária. Um total de 72,2% das ações preferenciais (PN, sem direito a voto) que estão em poder de investidores foram convertidos voluntariamente em ações ordinárias (ON, com voto). O percenual se refere a um balanço preliminar, uma vez que o prazo para conversão termina nesta sexta-feira, e supera os 54,09% necessários para que a companhia dê continuidade à reestruturação. A empresa deve divulgar o resultado consolidado no fim do dia.
O objetivo da Vale é diluir o controle da empresa e, assim, estar apta a ingressar no Novo Mercado, mais alto nível de governança da B3 (ex-Bovespa). As companhias listadas neste segmento da Bolsa não têm controlador e só podem ter ações com voto. Além disso, ao menos 20% dos membros do o Conselho de Administração precisam ser independentes, com mandato máximo de dois anos.
Na prática, caso a Vale consiga ingressar no Novo Mercado, ela terá menos ingerência do governo e dos demais acionistas majoritários. Hoje, a mineradora é controlada pela Valepar, holding que reúne BNDESPar, Bradespar, a japonesa Mitsui e fundos de pensão, entre eles Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Petros (Petrobras). Por meio dos fundos de pensão e BNDES, o Estado controla direta ou indiretamente 60,5% das ações com direito a voto da empresa.
O mínimo de 54,09% de conversão voluntária das ações era necessário justamente para que os controladores deixassem de exercer o controle, ou seja, tivessem fatia inferior a 50% na mineradora. Uma vez vencida essa barreira, o próximo passo será a incorporação da Valepar pela Vale. Se tudo der certo, a previsão da empresa é ingressar no Novo Mercado em 2020.
A pergunta que os analistas de mercado se fazem é o que a companhia fará com as ações preferencias que não forem convertidas. Ivano Westin, analista do Credit Suisse, não descarta que se estabeleça uma conversão mandatória no futuro. “Caso sobre um pequeno percentual de PNs, não descartamos uma oferta mandatória no futuro. No entanto, mesmo que não haja a migração para o Novo Mercado, um nível mais alto de governança já foi alcançado”, escreveu o analista em relatório distribuído a clintes.
Na avaliação de Marcos Assumpção, analista do Itaú BBA, a conversão pode atingir 85% ao fim do dia, considerado um recorde em transações semelhantes, devido a atuação dos fundos passivos (cuja carteira imita a composição de índices de referência do mercado, como o Ibovespa). “Fundos passivos tendem a esperar o último dia para converter suas ações e reduzir o descompasso entre sua carteira e a do índice”.

