BUENOS AIRES - Negociadores do Mercosul e da União Europeia (UE) estão mergulhados numa negociação frenética na capital argentina para tentar fechar o mais rápido possível o esperado acordo de livre comércio entre os dois blocos comerciais. As conversas estão acontecendo em paralelo à XI Conferência Ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC) e segundo disse o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, “a disposição é total” e o desejo de todos é “anunciar aqui mesmo, em Buenos Aires, nos próximos dias”.
- Não sabemos se a negociação vai permitir, mas nossa disposição é total. O que já temos até agora é muito positivo. Vamos ter acesso a um mercado de 750 milhões de pessoas, com alto poder aquisitivo - disse o ministro, num intervalo de suas reuniões no âmbito da OMC.
A negociação entre Mercosul e UE começou há cerca de 20 anos e paralisou-se em vários períodos. Em 2017, os dois blocos se comprometeram a avançar o máximo possível e neste momento a sensação entre os quatro governos do Mercosul é de que o entendimento está praticamente fechado. Se o anúncio não for feito em Buenos Aires, o mais provável é que fique para a cúpula de presidentes do Mercosul, no próximo dia 21 de dezembro, em Brasília.
- A oferta que já está colocada sobre a mesa é positiva, mas queremos melhorar - assegurou Nunes.
No entanto, segundo fontes brasileiras, nenhum dos obstáculos que existem atualmente nas conversas seria o suficientemente importante para impedir a divulgação do acordo. O Mercosul, por exemplo, considerou insuficiente a oferta feita pela UE de permitir a entrada a seu mercado de 70 mil toneladas de carne e 600 mil toneladas de etanol, por ano. Perguntado especificamento sobre este ponto, o ministro minimizou a importância da divergência:
- Uma negociação tão ampla como essa, com economias tão complexas, não pode ficar presa a um único item. Temos de ver o conjunto da negociação. O setor da agroindústria deve ser considerado no seu conjunto. O Brasil é uma grande potência agrícola, tem mercado na Europa e no mundo inteiro. Não podemos fixar a negociação num único ponto.
Nunes assegurou que “a UE já ofereceu grandes possibilidadeS de acesso aos produtos da agroindústria brasileira ao seu mercado, que não havia antes”.
_- Avançamos muito e não somente em agricultura, mas em outros temas. Propriedade intelectual, regras de origem, mercados públicos, indústria _ ampliou o ministro.
Já o chanceler argentino, Jorge Faurie, explicou que “o que todos estamos tratando de fechar são os temas que têm que ver com o acesso aos mercados, sobre como vamos tratar os serviços, como vamos tratar temas de governo”. Faurie admitiu que o setor farmacêutico é outro dos pontos sensíveis da negociação.
- O setor farmacêutico é um setor onde os países do Mercosul têm uma grande sensibilidade porque o nível de desenvolvimento de nossa indústria farmacêutica e biotecnológica não é o mesmo que tem a UE. É um dos temas em que estamos trabalhando muito pontualmente. O que alguns entendem como suficiente, outros entendem como necessário. A UE registrou que para nós esse é um tema sensível _ disse o ministro argentino.
Para a Casa Rosada, assegurou Faurie, “esse é um acordo político, de uma envergadura extraordinária”.
_ Uma vez que acordemos a parte substantiva disso, teremos seis ou sete meses de redação, mais dois a três anos para formar, portanto o impacto na vida das pessoas vem depois _ concluiu o ministro argentino.

