RIO - A expectativa pelo discurso de Donald Trump, no início desta tarde, espalhou ansiedade pelos mercados. O dólar comercial opera em alta de 0,5%, a R$ 3,216, enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cai 0,45%, a 61.850 pontos, revertendo a tendência verificada durante a manhã, quando a valorização das ações ligadas a commodities e a expectativa do corte de juros no Brasil levaram o Ibovespa a superar os 62 mil pontos.
- O mercado aguarda o discurso de Trump e faz uma correção após a rcente depreciação do dólar - diz Marcos Henrique Jamelli, analista de câmbio da Gradual Corretora.
Em sua primeira entrevista coletiva à imprensa desde julho e a dez dias da posse, Trump pode dar hoje indicações sobre sua política econômica, após ter prometido durante a campanha eleitoral empregar uma política de estímulo fiscal.
- Dependendo de como for a entrevista podemos ver uma forte oscilação nos ativos, especialmente no câmbio - diz Hersz Ferman, economista da Elite Corretora.
De olho no resultado do encontro, os juros futuros operam "de lado": os contratos mais negociados são para janeiro de 2021, que ontem fecharam a 11,15% e hoje são negociados a 11,10%. A curva mais longa, contudo, mostra alta: papéis para janeiro de 2023, que fecharam a 11,34%, hoje são negociados a 11,41%.
Para Alexandre Espirito Santo, economista da plataforma de investimentos Órama, o mercado já embutiu em seus preços a perspectiva de redução nos juros.
As expectativas se dividem entre redução de 0,5 ponto percentual e 0,75 ponto percentual. . Contudo, a pesquisa se refere à semana anterior, e as previsões vêm sofrendo revisões nos últimos dias. Para Espirito Santo, o corte de 0,75 pp é improvável, mas não seria surpreendente, tendo um vista o cenário econômico. Conforme o Focus,
- O IPCA veio um pouco abaixo do esperado, e o mercado continua atribuindo alguma chance de um corte maior que 50 bps (0,5 ponto percentual) na Selic hoje - aponta Ferman.
No mercado internacional, o dólar opera em alta contra seus pares. O Dollar Index Spot, que compara a moeda americana com outras dez divisas globais, avança 0,3% nesta quarta-feira.
Na Bovespa, as ações da Petrobras passaram a cair: 0,11% nas ordinárias (ON, com direito a voto) e 0,45% nas PN (preferenciais, sem voto).
A mineradora Vale desacelerou o ganho: os papéis ON sobem 0,73% e os PN, 1,33%, em mais um dia de valorização do minério de ferro na China — a commodity subiu 1,23% no porto de Qingdao, após alta de 2,19% ontem, que levou à disparada de 7,7% da empresa brasileira.
Na Europa, aos principais índices operam em alta. Em Londres, o FTSE 100, ganham 0,24%. O DAX, de Frankfurt, opera com alta de 0,33%. Em Paris, o CAC 40 tem valorização de 0,21%.
Na China, as bolsas recuaram pelo segundo dia, pressionadas pelo aumento na oferta de ações e com os investidores realizando lucros em ações estatais, que haviam se valorizado com as expectativas de reforma. O índice CSI300, de Xangai e Shenzhen, recuou 0,7%, enquanto o índice SSEC, de Xangai, teve queda de 0,77%.
Outros mercados da Ásia tem alta com investidores aguardando a entrevista de Trump. Em Tóquio, o Nikkei avançou 0,33%. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,84%.



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