SÃO PAULO - À espera do anúncio da nova meta fiscal, o Ibovespa, principal índice de ações da B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip), perdeu força ao longo do pregão e fechou com leve variação positiva de 0,10%, aos 68.355 pontos - na máxima, chegou a subir 0,82%. Já o dólar comercial fechou em queda de 0,87% ante o real, cotado a R$ 3,175.
Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora, afirmou que a indefinição sobre o anúncio da meta contribuiu para os investidores reduzirem a exposição ao risco no final dos negócios.
— A Bolsa foi perdendo força no final com a indefinição da meta. Todo mundo agora está em compasso de espera para ver qual vai ser o novo número — disse.
Na avaliação de Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor, a maior preocupação continua sendo o tamanho do rombo fiscal. No entanto, a melhora das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Coreia do Norte e a reta final da temporada de balanços do segundo trimestre contribuíram para um pregão menos negativo.
— O mercado chegou a subir com a calmada na questão geopolítico e a publicação de alguns balanços. A continuidade de queda dos juros também ajuda. Mas ainda há a questão da meta fiscal. O governo está preocupado porque se elevar muito o rombo fiscal, pode ter a nota de crédito reduzida pelas agências de avaliação de risco — disse.
A meta de déficit primário (quando os gastos superam a receita, mesmo sem considerar as despesas com juros) para este ano será revisada para um valor acima dos R$ 139 bilhões da meta atual. O anúncio estava previsto para ontem, mas foi adiada para quarta, às 10h, e depois antecipado para às 18h, com os mercados já fechado.
A agênicia Moody’s já sinalizou que até R$ 159 bilhões seria um rombo aceitável, sem prejuízo para a nota. No entanto, entre os investidores há o temor de um aumento muito maior do rombo fiscal devido à pressão política por mais gastos públicos com a proximidade das eleições de 2018. “O anúncio com a equipe econômica do governo federal não ocorreu e ainda restam dúvidas, pois haverá novas negociações ao longo do dia para definir o tamanho do déficit fiscal”, lembraram os analistas da Coinvalores
Em meio a esse cenário, o desempenho do setor bancário, de maior peso na composição do Ibovespa, e da Petrobras ajudaram a manter o índice em alta. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) do Itaú Unibanco e do Bradesco subiram, respectivamente, 0,27% e 0,24%.
No caso da Petrobras, o desempenho das ações da estatal foram beneficiados pela alta do petróleo no mercado externo. O do tipo Brent subia 0,24%, a US$ 50,85 o barril, próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil. As PNs da empresa tiveram alta de 0,53%, cotadas a R$ 13,15. Já os ordinários (ONs, com direito a voto) registram leve alta de 0,14%, a R$ 13,62.
Ainda entre as altas, as ações da JBS subiram 1,04%, a R$ 8,69. A empresa divulgou o balanço do segundo trimestre nesta terça-feira e anunciou que ainda quer fazer a abertura de mercado das operações externas nos Estados Unidos. A previsão é fazer essa operação em 2018. A maior alta do índice, no entanto, foi registrada pela Estácio Participações, que subiu 4,25%.
Já as preferenciais da Vale caíram 0,06% e as ONs, 0,57%, acompanhando a desvalorização do minério de ferro na China.
Em relação aos dados de atividade econômica, os dados do varejo do IBGE, que registrou , surpreenderam. No entanto, os analistas da Yield Capital destacaram que essa melhora do desempenho não está sendo uniforme entre os diferentes estados. O maior crescimento foi registrado em Santa Catarina, com 12,7%. São Paulo, que possui o maior volume de vendas, teve alta de 3,4%. Já o Rio de Janeiro registrou recuo de 3,5%.
Já o dólar comercial fechou na contramão do mercado externo. Segundo operadores, a queda foi um movimento de correção, já que a divisa subiu de forma mais forte desde a semana passada, e também pela perspectiva positiva em relação ao anúncio da meta.
— No encerramento dos negócios, prevaleceu a percepção de que o governo conseguirá um acordo favorável com os congressistas anunciará metas projetadas pelos mercados — afirmou Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio.

