O Brasil é o país com a maior participação de fontes renováveis no consumo final de energia — indicador que soma toda a energia efetivamente usada por indústrias, veículos e residências, e não apenas a eletricidade — entre um grupo de grandes economias, segundo dados do Banco Mundial referentes a 2021, ano mais recente disponível para essa comparação. No levantamento, o Brasil aparece com 46,5% de energia renovável, à frente da Índia (34,9%), da Alemanha (17,6%), da China (15,2%), dos Estados Unidos (10,9%) e da África do Sul (9,7%).
A explicação para a posição brasileira está principalmente nas usinas hidrelétricas, que respondem por cerca de 68% da matriz elétrica do país — o conjunto de fontes usadas para gerar eletricidade —, segundo dados oficiais do setor energético. A cana-de-açúcar, usada tanto na produção de etanol quanto na geração de energia a partir do bagaço, também contribui para o número, o que distingue o Brasil da maioria dos países da lista, onde o petróleo, o carvão e o gás natural ainda dominam.
Um símbolo dessa matriz é a usina de Itaipu, na fronteira do Paraná com o Paraguai, uma das maiores hidrelétricas do mundo. Segundo a Itaipu Binacional, a usina ultrapassou em 2025 a marca de 3,1 bilhões de megawatts-hora gerados desde o início da operação, na década de 1980, energia suficiente para abastecer parte significativa do consumo elétrico brasileiro ao longo de décadas.
A vantagem brasileira, porém, não é completa: a matriz de transportes do país ainda depende fortemente de combustíveis fósseis, o que reduz a distância para nações menos dependentes de hidrelétricas quando o assunto é o consumo total de energia, e não apenas a eletricidade. Ainda assim, o indicador do Banco Mundial reforça um traço da economia brasileira pouco comum entre países do mesmo porte: uma matriz energética majoritariamente limpa, construída ao longo de décadas de investimento em usinas como Itaipu.




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