Recuperada de lesão, a sensação de 20 anos deve voltar às titulares no confronto contra o Vietnã na Copa do Mundo Feminina
Hamilton/Nova Zelândia - Aos 20 anos, a meia-atacante Kika Nazareth faz parte da primeira geração de jogadoras portuguesas que puderam sonhar. Sonhar defender o clube do seu coração. E sonhar atuar diante dos seus.
Ao contrário de muitas de suas companheiras, não foi obrigada a procurar uma alternativa no exterior para tentar uma carreira no futebol feminino. Com o investimento em uma liga profissional no país a partir de 2016, pôde se juntar ao Benfica e atuar no mesmo estádio da Luz que sempre frequentou desde cedo como mais uma torcedora, informou a Fifa*.
Quando Portugal se classificou para a sua primeira grande competição, a Uefa Euro Feminina 2017, Kika tinha apenas 15 anos e, admite a quem quer que pergunte, não acompanhou nenhum dos jogos. Naquela altura, 12 de suas atuais colegas já corriam com a camisa da seleção pelos gramados.
Garantia às ‘Navegadoras’
Hoje, todas elas contam com o retorno de Kika entre as titulares para garantir às ‘Navegadoras’, como são chamadas em casa, o direito de sonhar com um objetivo que - esse, sim - está agora ao alcance de qualquer uma delas: chegar à última rodada contra os Estados Unidos com chance de classificação para as oitavas de final. Para isso, será preciso passar pelo Vietnã, nesta quinta-feira (27), às 8h30 (de Portugal continental), em Hamilton, pela Copa do Mundo Feminina da Fifa Austrália e Nova Zelândia 2023, informou a Fifa.
Na derrota de 1 a 0 para a Holanda em sua estreia, Portugal se ressentiu especialmente da ausência de Kika, que começou no banco de reservas e entrou apenas no segundo tempo por causa de uma lesão sofrida contra a Inglaterra, em amistoso em 1º de julho.
Sem Kika, faltou imaginação à seleção portuguesa no ataque. Faltou fantasia. Faltou, sobretudo, Kika.
Segundo a Fifa, foi essa irreverência em campo que levou a camisa 20 a ser indicada à edição inaugural do ‘Golden Girl’, que premia a melhor jogadora sub-21 da temporada. Mesmo em uma era em que se valoriza cada vez mais o jogo físico, ela vai no sentido contrário. Mantém-se fiel às suas raízes: o futebol de rua.
É de uma pureza em suas ações que, por vezes, até a faz abusar um pouco do drible em detrimento de maior objetividade.
“Quando estou no campo é a intuição que manda. Eu não penso. Não estou vendo a Carole [Costa, zagueira da seleção] com a bola e pensando se ela vai passar aqui e depois eu vou fazer algo. Acho que tudo me sai sem pensar. Sou assim desde pequenina. O fato de ter jogado na rua, sem regras, sem ninguém a dizer que tinha de fazer isto ou aquilo --que hoje em dia é importantíssimo --, até há relativamente pouco tempo, me deu isto. Jogar na rua, sem regras, me deu a capacidade de decidir por intuição”, resumiu Kika.
(*) Informações da Fifa


