Era uma manhã comum de janeiro de 2013 quando a diarista abriu a porta do apartamento 204, no bloco 13 do condomínio Parque Solimões, no bairro Raiz, zona sul de Manaus. Lá dentro estavam os corpos de Maria Gracilene Roberto Belota, servidora da Suframa, e da filha dela, Gabriela Belota, estudante de odontologia da UEA. No mesmo dia, em outro ponto da cidade, no bairro São Raimundo, foi encontrado morto Roberval Roberto de Brito, irmão de Gracilene. Três pessoas da mesma família, em endereços diferentes, na mesma madrugada. Manaus acordou sem entender.

A investigação levou a polícia a um nome que ninguém queria acreditar: Jimmy Robert de Queiroz Brito, filho de Roberval, sobrinho de Gracilene e primo de Gabriela. Segundo a apuração, ele planejou as mortes para ficar com o patrimônio da família e contou com dois executores, Rodrigo de Moraes Alves e Ruan Pablo Bruno Cláudio Magalhães. Os três foram a júri popular em novembro de 2013 e saíram do tribunal condenados a penas que somadas passavam de 280 anos de prisão, depois revistas em segunda instância. Durante todo aquele ano, cada audiência, cada depoimento e cada decisão judicial foram acompanhados pela cidade como quem acompanha um capítulo por vez.

Passados mais de treze anos, o caso Belota continua sendo lembrado como o crime que mudou a forma como Manaus enxerga a violência dentro de casa. Quem viveu 2013 na cidade lembra das manchetes, do apelido que o processo ganhou nas ruas e do silêncio no condomínio da Raiz. Quem não viveu talvez só tenha ouvido falar. Por isso o Portal do Holanda reuniu em um só lugar todo o acervo daquela cobertura, do primeiro pedido da família pelo fim do segredo de justiça até a leitura da sentença, disponível na editoriaCaso Belota.



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