Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher e violência doméstica. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie
Um vídeo registrado por câmeras de segurança mostra o empresário Ivo Kos, de 48 anos, agredindo na calçada a cirurgiã-dentista Giullia Falcão Kos, de 27 anos, na noite de sexta-feira, 14, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.
Ivo foi preso em flagrante por lesão corporal, ameaça e violência doméstica e teve a prisão convertida em preventiva pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Em nota, a advogada de Ivo disse que "os fatos ainda estão sendo apurados e, por isso, a defesa não vai se manifestar". Ivo Kos é empresário com atuação na região da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. Ele é sócio-fundador da Virgo.
O advogado Fabio Fajolli, que representa Giullia, relatou ao Estadão que as agressões começaram dentro do carro, com socos, e continuaram na residência do casal. No imóvel, segundo o relato da vítima, ela foi golpeada com um taco de beisebol e ameaçada com um taser, dispositivo que produz descargas elétricas e é utilizado por forças de segurança. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela mostrou o rosto bastante machucado, com os olhos e lábios inchados, além de ferimentos no nariz.
As imagens das câmeras da rua mostram um segurança próximo ao carro durante as agressões sofridas por Giullia na calçada. De acordo com Fajolli, ele teria ajudado Ivo a arrastar a mulher até a residência. Segundo Giullia, o marido foi preso porque vizinhos teriam escutado a briga e acionado a polícia.
Conforme o boletim de ocorrência, acessado pela reportagem, a briga começou quando o casal voltava de um jantar com clientes de Ivo e foi motivada por "motivos fúteis". Ela diz que, ainda no carro, foi agredida com socos no rosto e no corpo e revidou com golpes para se defender.
Na versão de Ivo que consta no boletim de ocorrência, ele negou as agressões no carro, mas admitiu ter desferido um soco na mulher do lado de fora de casa. Ele também negou as acusações sobre o taco de beisebol e ameaças com taser. Disse que chegou a pegar gelo para Giullia passar nos ferimentos, mas que ela teria desferido um golpe no rosto do empresário.
Ambos foram submetidos a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal, e Ivo foi submetido a exame toxicológico.
Essa agressão final é só a ponta do iceberg
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Giullia afirma que o episódio faz parte de um histórico de violência e ameaças. "Essa agressão final é só a ponta do iceberg", disse.
Segundo ela, o marido fazia ameaças recorrentes. Giullia disse ainda que a fechadura da residência foi trocada, o que teria impedido seu acesso ao imóvel. "Eles simplesmente trocaram a fechadura. Todas as minhas coisas estão lá. É o meu lar. Ele está preso e a fechadura foi trocada. Ele também está com a chave do carro, que está em meu nome", afirmou no vídeo.
A dentista relatou que funcionários da residência estariam sendo ameaçados e coagidos. "Eles estão com todos os quartos da casa trancados e não têm acesso aos documentos que pedi. Estão em estado de choque, sem conseguir se comunicar comigo, com medo das ameaças e de possíveis retaliações na esfera jurídica", afirmou.
O empresário é filho de Olga Kos, vice-presidente do instituto que leva o nome dela. A entidade é conhecida pelas ações esportivas e culturais voltadas às pessoas com deficiência. Em nota, o Instituto Olga Kos salientou que casos de violência doméstica "não comportam relativização" e afirmou ser necessário "distinguir a esfera individual do trabalho desenvolvido pelo instituto".
Confira a nota na íntegra:
A gravidade de qualquer situação envolvendo violência doméstica exige uma postura inequívoca de respeito às pessoas envolvidas, responsabilidade na abordagem dos fatos e confiança nas instituições competentes para sua adequada apuração. Trata-se de uma questão que não comporta relativização. Eventuais responsabilidades devem ser individualizadas e tratadas nos termos da lei. Nesse sentido, é fundamental distinguir a esfera individual do trabalho desenvolvido pelo Instituto Olga Kos. A instituição é constituída por uma rede de profissionais, educadores, especialistas, parceiros, apoiadores, pessoas com deficiência e suas famílias. Sua atuação e sua missão social não se confundem com a vida privada ou com eventuais condutas individuais de pessoas ligadas, direta ou indiretamente, à sua diretoria. Preservar essa distinção não significa minimizar nenhuma situação, tampouco antecipar qualquer julgamento sobre os fatos. Significa reconhecer um princípio essencial de justiça: cada pessoa deve responder por seus próprios atos, e cada instituição deve ser avaliada por suas próprias práticas, valores, governança e resultados.
Ao longo de sua trajetória, o Instituto Olga Kos construiu um trabalho voltado à inclusão social, ao acolhimento e à promoção da dignidade das pessoas com deficiência e de suas famílias. Por meio da cultura, do esporte e de iniciativas de integração social, seus projetos procuram ampliar a autonomia, participação e oportunidades para pessoas que ainda enfrentam importantes barreiras de acesso e inclusão na sociedade brasileira. E em 20 anos de atuação já atendeu mais de 60 mil pessoas.
O Instituto Olga Kos permanece comprometido com os princípios que orientam sua atuação: respeito à dignidade humana, inclusão, diversidade, acolhimento e ampliação de oportunidades para pessoas com deficiência e em situação de vulnerabilidade. São esses princípios, materializados no trabalho realizado diariamente e na relação construída com seus beneficiários, que devem continuar orientando e permitindo uma avaliação responsável sobre a história do Instituto.



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