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Vereador chama Pará de 'lixo' e diz que migrantes do norte transformam SC em favelão

 

O vereador Mateus Batista, de Joinville (SC), que causou polêmica na semana passada ao dizer que os paraenses que vivem na cidade catarinense a transformam em um "favelão", voltou a atacar os migrantes na Câmara nesta segunda-feira (25). 

 

 

Ao ser duramente criticado e acusado de xenofobia por colegas, ele reafirmou que não só Joinville, mas também o estado de Santa Catarina está virando uma grande favela e se tornará o próximo Rio de Janeiro, devido à chegada de nortistas e nordestinos. Ele também voltou a chamar o Pará de "lixo". 

“Reitero, o estado do Pará é um lixo mesmo. Belém tem 57% da população favelizada. Minha crítica é à forma como o estado é governado”, disse Mateus. 

Em vídeos nas redes sociais, ele já havia defendido um “controle migratório interno” para limitar a chegada de pessoas do Norte e Nordeste à Santa Catarina e disse que a presença dos migrantes no estado causa uma série de problemas como superlotação de hospitais, congestionamentos intensos e outros.

Durante a sessão, a vereadora Vanessa da Rosa (PT) rebateu com firmeza, chamando a fala de xenofóbica e irresponsável. Ela lembrou que Joinville sempre foi construída por migrantes e que esse tipo de discurso envergonha o parlamento.

Contudo, mesmo diante das críticas, Mateus dobrou a aposta e disse que está empenhado em fazer com sua proposta de controle, juntamente com o deputado federal Kim Kataguiri, seja aprovada em Brasília. 

Além de criticar a gestão do governador do Pará, Helder Barbalho, a quem chamou de “vagabundo”, Batista apresentou uma proposta legislativa em parceria com o deputado federal Kim Kataguiri, para que municípios tenham autonomia na regulação da entrada de novos moradores, seja aprovada em Brasília.

Vereadores, lideranças sociais e entidades de direitos humanos acusam Batista de promover discurso discriminatório e racista. A Câmara Municipal de Belém aprovou uma moção de repúdio, e moradores de Joinville também se manifestaram contra o posicionamento do vereador.

Segundo dados do IBGE, o Pará é o quarto estado com maior número de migrantes em Joinville, atrás apenas de Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul. Muitos desses migrantes atuam em setores essenciais da economia local, como construção civil, serviços e comércio.

Desde que começou a fazer vídeos insistindo no tema, o vereador, que foi o mais votado de Joinville, afirma ter recebido várias ameaças de morte e chegou a registrar Boletim de Ocorrência na delegacia da cidade.

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