Doze trabalhadores venezuelanos foram resgatados de regime análogo à escravidão em fazenda na cidade de Cafelândia, interior de São Paulo. Os migrantes, que fizeram parte do processo de interiorização da Operação Acolhida em Roraima, foram encontrados em ambiente degradante de trabalho, com péssima alimentação e a retenção de documentos.
O empregador, um microempresário individual da região, havia contratado por meio da Operação Acolhida venezuelanos para trabalhar na colheita de laranjas na região. Ele se apresentou ao Exército como empreiteiro, dono de empresa inexistente, e prometeu salário de 1.500 reais aos migrantes, com o custeio de transporte e hospedagem, além de bonificações.
O que ocorreu com os venezuelanos, porém, foi totalmente diferente do prometido. O empregador primeiramente reteve os cartões de assistência financeira entregues pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) aos migrantes para ajudá-los com alguns custos iniciais da interiorização, como alimentação e transporte, em valor próximo de 700 reais cada. Em 15 dias de trabalho, os venezuelanos receberam apenas 50 reais, que depois foram devolvidos ao empregador para que comprasse alimentos.
Os migrantes não foram registrados e mantidos em uma única casa, com apenas arroz e feijão para comer, sem água potável disponibilizada, tendo que depender de favor das famílias que moravam por lá. Os trabalhadores não tinham acesso aos equipamentos de proteção necessários para trabalhar na colheita de laranjas, como luvas de proteção. Ainda, foram mantidos em um sistema de segregação social, já que eram impedidos de conversar com os trabalhadores brasileiros e até mesmo sentar nos mesmos bancos do transporte para a fazenda.
Os relatos foram trazidos ao conhecimento do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE/SP), que recebeu a denúncia de migrantes que conseguiram fugir da fazenda.


