SÃO PAULO - Filas de espera para receber uma dose da vacina contra a febre amarela têm levado mais de três horas nesta terça-feira na zona norte de São Paulo. Em unidades básicas de saúde perto do Horto Florestal, onde um macaco morreu em decorrência da doença na semana passada e, pelo menos, outros quatro estão sendo periciados, mães com crianças de colo, idosos e grupos de adolescentes aguardavam nesta manhã para serem imunizados.
A vacinação em massa foi convocada pelo governo na segunda-feira. Na UBS do Peri, o universitário Gabriel da Silva Oliveira deixou o local após cerca de três e meia de espera para ser imunizado.
— Aproveitei que hoje não teria aula para vir até o posto, estou preocupado com o contágio aqui na região. Mas é muito tempo de demora, chega a ser desrespeitoso — contou o rapaz.
A poucos minutos de lá, na UBS do Horto, oito funcionários se encarregavam nesta manhã da aplicação das vacinas. A demanda foi tão grande que a rua que dá acesso ao portão de entrada da unidade foi fechada para carros. Qualquer pessoa que se aproxime do local, ainda que por curiosidade, é orientado a se dirigir ao fim da fila. Enquanto aguardam, as pessoas são abordadas por agentes de saúde que conferem documentos de identidade e carteiras de vacinação.
Funcionários da unidade informaram, com a garantia de não terem seus nomes divulgados, que a fila de espera dos grupos que não têm atendimento preferencial estava girando em torno de duas horas nesta manhã.
— Estão falando de surto de febre amarela, isso é assustador. A gente precisa se precaver de alguma forma — contou a analista financeira Glaucia Nascimento.
Segurando o filho de um ano e nove meses, Glaucia deixava o posto perto da hora do almoço, após levar o menino para receber a vacina. Aproveitando a passagem pelo local, a mãe também recebeu uma dose. Na fila preferencial, a criança esperou cerca de 30 minutos para se vacinar.
— Tive sorte por ele ser bem pequeno, mas tem muitas outras mães na fila aguardando há mais tempo. Já disse até para a minha mãe, uma mulher idosa, vir aqui se vacinar também.
Com um filho de três anos, a cabelereira Katia Frano aguardava há mais de 40 minutos para ser atendida. Localizada ao fim da fila, que ocupava três quarteirões, esperava sozinha enquanto o marido levava a criança para comer alguma coisa em uma lanchonete em frente ao posto de saúde. Ao GLOBO, ela contou morar próximo ao Horto Florestal, onde foram encontrados cinco macacos mortos, e se disse assustada com a possibilidade de um surto da doença.
— Moramos perto do Horto e por isso a família toda vai ter que se vacinar. Tentei vir ontem, mas estava muito frio — contou.
A UBS do Horto foi escolhida como posto de vacinação por apresentar filas menores que o outro posto da região, segundo a cabeleireira. Ela também afirmou que amigos e parentes que se vacinaram na última segunda tiveram maior tempo de espera nas filas.
A vacinação é orientada a moradores e pessoas que trabalham nos arredores do Horto Florestal. O Ministério da Saúde anunciou que enviará ao estado um reforço de 1 milhão de doses da vacina a fim de prevenir um novo surto da doença.

