SÃO PAULO — Os depententes químicos da antiga Cracolândia retornaram para a região desocupada há um mês, no centro de São Paulo, na noite de quarta-feira. Até ontem, eles se estabeleciam na Praça Princesa Isabel, na Luz, também no centro. Eles migraram para a Alameda Cleveland, próxima do antigo ponto de concentração do chamado ‘fluxo’, na rua Helvétia. Segundo a Prefeitura, nenhuma ação policial ocorreu na região.
Em nota, a prefeitura alega não ter realizado “nenhuma ação diferente” na noite passada. “A movimentação dos usuários se deu de forma espontânea, por decisão deles mesmos”, declarou. Eles garantiram que o trabalho das equipes municipais não serão alterados diante do novo cenário.
Na manhã desta quinta-feira, a Praça Princesa Isabel já se encontrava completamente vazia. Diferente de outras ocasiões, a mudança ocorreu sem dispersão dos dependentes pelas vias da região. A Secretaria de Segurança Pública também não soube explicar o motivo do deslocamento.
Procurada, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) ainda não se manifestou sobre o assunto.
A migração ocorreu exatamente um mês após. O prefeito João Doria (PSDB) chegou a declarar o “fim da cracolândia”, referindo-se ao espaço físico ocupado no centro da cidade. Após a ação, o tucano anunciou o início do Redenção, programa municipal de combate ao uso de drogas e recuperação dos usuários, e o fim do Braços Abertos, implantado pela gestão Fernando Haddad (PT). No entanto, os dependentes químicos se dispersaram e se concentraram na Praça Princesa Isabel, onde permaneceram até ontem, com o comércio de drogas funcionando normalmente.
A ação de maio resultou em duas baixas na Secretaria de Direitos Humanos do município: Patrícia Bezerra (PSDB) e Thiago Amparo, secretária e ex-secretário-adjunto, respectivamente, pediram exoneração por discordarem das atitudes tomadas pela Prefeitura.
Tumultos entre policiais e usuários se tornaram frequentes na região ao longo do mês, com o confronto mais recente no último sábado, quando a PM .

