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Tendência na PGR é suspender acordo de Joesley e Saud

BRASÍLIA - A Procuradoria-Geral deverá rescindir o acordo de delação premiada do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, e do executivo Ricardo Saud, conforme disse ao GLOBO uma fonte que acompanha o caso de perto. Isso deve acontecer na próxima semana, ao final do processo de revisão do acordo aberto na segunda-feira. Não está claro ainda se Batista e Saud vão perder em parte ou todos os benefícios obtidos a partir do acordo. O mais provável é que percam de imediato a impunidade penal. Ou seja, eles poderiam ser processados e punidos.

Num diálogo gravado involuntariamente, Batista e Saud comentam sobre a possibilidade de gravar uma conversa com o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e arrancar dele revelações comprometedoras sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para eles, a munição ajudaria a negociar um acordo de delação com o grupo de trabalho da Operação Lava-Jato, em Brasília. Nas conversas surgem os nomes dos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e até da presidente do tribunal, Cármen Lúcia.

A estratégia não deu resultados. Cardozo teria rejeitado a aproximação do empresário. Não há, na conversa, indicação de qualquer irregularidade cometida pelos ministros. Os diálogos foram divulgados ontem pelo GLOBO. Batista e Saud comentam também sobre aproximação com o então procurador Marcelo Miller para, a partir daí, chegarem até ao procurador-geral Rodrigo Janot. Miller teria até orientado Saud a preparar os anexos da delação de Saud. Em nota divulgada ontem, Batista e Saud dizem que nenhuma referência aos ministros do STF eram verdadeiras.

Mas as desculpas públicas não foram suficientes para reduzir a tensão. Integrantes da equipe de Janot entendem que os delatores extrapolaram as regras previstas no acordo. Cresce também dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) a pressão indireta para que o procurador-geral peça a prisão dos dois executivos. A maioria dos ministros entende as provas obtidas a partir da delação dos executivos são válidas. Mas, ainda assim, entendem que, pela desenvoltura nas tratativas pré-acordo os dois precisam sofrer algum tipo de punição.

Desde segunda-feira, quando o caso da gravação involuntária chegou ao STF, os ministros Lewandowski, Mendes e Cármen Lúcia, entre outros, tem conversado sobre o assunto. Segundo um interlocutor de um deles, os ministros estão indignados e querem punição exemplar do dono da JBS. A defesa dos executivos tem dito que os dois tiveram uma "conversa de bar". Argumentam ainda que foram os dois que entregaram a Procuradoria-Geral a gravação das conversas desfavoráveis a eles próprios.

Com isso, teria cumprido a promessa de entregar todos os documentos disponíveis relacionados à delação no prazo estabelecido pelo STF, ou seja, não destruíram provas e nem se omitiram sobre fatos conhecidos.

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