BRASÍLIA — O presidente se arrependeu por não ter discursado na abertura do ano do Judiciário, em cerimônia na manhã desta quinta-feira no Supremo Tribunal Federal (). A fala do presidente estava prevista, mas Temer desistiu depois que os presidentes da Câmara, (DEM-RJ), e do Senado, (PMDB-CE), decidiram não discursar.
Segundo aliados, diante deste fato, o presidente considerou que seria "presunção" o Executivo falar em uma cerimônia em que o Poder Legislativo não se pronunciaria. Após o evento, no entanto, Temer disse a pessoas próximas que se arrependeu pelo silêncio e que poderia ter feito uma defesa da separação e equilíbrio entre os poderes, no momento em que está suspensa a posse da futura ministra do Trabalho, Cristiane Brasil (PTB-RJ), por decisão justamente da ministra Cármen Lúcia, presidente do STF.
A disputa judicial pela nomeação de Cristiane Brasil começou em 8 de janeiro, quando o juiz Leonardo da Costa Couceiro, da 4ª Vara Federal de Niterói, suspendeu a posse por ofensa à moralidade. O juiz considerou que não poderia ser ministra do Trabalho alguém que responde a ações trabalhistas na Justiça. O governo tentou reverter a situação em três recursos à Justiça Federal, mas foi derrotado. A Advocacia Geral da União (AGU) só obteve vitória em 20 de janeiro, quando o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, derrubou a liminar que suspendia a posse.
O grupo Movimento dos Advogados Trabalhistas Independentes (Mati) recorreu ao STF contra essa decisão. Alegou que não cabia ao STJ deliberar sobre a questão, que seria de competência exclusiva do Supremo. Na madrugada do dia 22 de janeiro, em decisão liminar, Cármen Lúcia entendeu que o questionamento era plausível e, dessa forma, suspendeu a decisão do STJ, que continua suspensa.

