BRASÍLIA - Às vésperas de eventual nova denúncia contra si, o presidente Michel Temer disse que tem força para "resistir" a pessoas que querem "parar o Brasil". Em vídeo nesta terça-feira, após embarcar à China, Temer pediu otimismo aos brasileiros e defendeu concessões e privatizações.
— Sabemos que tem gente que quer parar o Brasil, e esse desejo não tem limites. Quer colocar obstáculos ao nosso trabalho, semear a desordem nas instituições, mas tenho a força necessária para resistir — afirmou, sem citar nomes.
— Nenhuma força me desviará desse rumo.
O peemedebista declarou ainda que a sociedade é a única beneficiada das ações do governo, e também prometeu buscar investimentos na China, para onde viaja por oito dias a partir desta terça-feira. Na semana passada, o Palácio do Planalto anunciou 57 projetos para serem vendidos ou concedidos ao setor privado, como a Eletrobras, 14 aeroportos, a Casa da Moeda e o Parque Olímpico.
— O brasileiro é trabalhador e generoso. Se estão desconfiados da política é porque já sofreram muito e amargaram grandes decepções. Mas no fim sempre torcem para dar certo. Vai dar certo. Não vamos deixar que a agenda negativa venha abater o nosso ânimo — disse o presidente com aprovação de 5%, a mais baixa em três décadas, segundo o último levantamento do Ibope.
O próprio Planalto passou a admitir que Temer pode ser denunciado novamente. Nesta segunda-feira, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, falou a jornalistas duas vezes dessa possibilidade, e disse esperar que o Ministério Público cumpra a lei. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem até o próximo dia 17, fim do seu mandato, para apresentar a denúncia criminal contra o presidente. Até o dia 6, Temer estará na China, por conta de uma visita de Estado e do encontro dos Brics.
Para o lugar de Janot à frente da Procuradoria-geral da República, Temer escolheu Raquel Dodge, vista como opositora ao atual procurador. Na lista tríplice do MP, ela foi a segunda mais votada. A Constituição permite que o presidente não selecione o primeiro da lista. Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff escolhiam o nome com mais votos dos procuradores.
Janot já denunciou Temer por corrupção passiva há dois meses, mas a denúncia foi barrada pela Câmara. A Casa deve dar aval a denúncias contra o presidente, antes de o Supremo Tribunal Federal decidir se aceita a acusação e torna réu o chefe do Executivo, afastando-o do Planalto enquanto o caso é julgado ou em até seis meses. Temer ainda é investigado no Supremo por organização criminosa e obstrução de Justiça.

