Início Brasil Temer pressiona aliados para votar denúncia nos próximos dias
Brasil

Temer pressiona aliados para votar denúncia nos próximos dias

Envie
Temer pressiona aliados para votar denúncia nos próximos dias
Temer pressiona aliados para votar denúncia nos próximos dias
Envie

BRASÍLIA — O governo intensificou ações em várias frentes para garantir a derrubada do relatório do deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que recomenda a aprovação da admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os dirigentes de partidos aliados — PMDB, PP e PR — anunciaram reuniões da Executiva para discutir o fechamento de questão contra a denúncia, com o objetivo de engessar os votos de deputados rebeldes. Além disso, mantiveram a estratégia de substituir membros na CCJ que pretendiam votar a favor do relatório para garantir uma vitória logo na primeira fase de votação da denúncia por corrupção contra o presidente. Em outra frente, o PMDB protocolou na comissão um voto em separado contra a autorização da investigação de Temer pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Se conseguir barrar o relatório de Zveiter, a tropa de choque governista tentará levar o voto vencedor ao plenário.

Se no fim da semana o Palácio do Planalto admitia que faltavam ao menos seis votos para rejeitar a denúncia do Ministério Público na comissão, agora, após a décima troca na composição do colegiado, o placar virou e tudo indica que Temer sairá vitorioso, com mais de 34 votos (o mínimo necessário) pela rejeição do relatório.

A estratégia, embora tenha previsão regimental, causa revolta na própria CCJ, considerada a mais importante comissão temática da Câmara. No total, foram 17 movimentações, mas no grupo de titulares a troca foi de dez membros. Apenas os titulares votam na comissão. Na terça-feira, a Rede, da oposição, entrou com um mandado de segurança no STF para anular o troca-troca. Um dos substituídos, o deputado Delegado Waldir (PR-GO), também apelou ao Supremo para ser reconduzido ao posto que perdeu no dia anterior, quando, nos microfones da CCJ, chamou o governo de “nojento” e “bandido”. Mas, em decisão rápida, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, avalizou as trocas.

Em coro, o presidente da CCJ, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), e o relator da denúncia, Sergio Zveiter (PMDB-RJ), criticaram as manobras do Planalto.

— É inadequado e criticável do ponto de vista ético. Considerando a natureza desse procedimento e que a CCJ funciona como um juízo natural em relação à admissibilidade do processo contra o presidente, pode-se construir algum entendimento sobre a impossibilidade dessas substituições — afirmou Pacheco, que ressalvou que essa decisão não cabe a ele.

— Eu entendo que no momento em que o processo começa a tramitar não é possível mais (trocar). Imagine se em qualquer julgamento no Supremo ou em qualquer tribunal, iniciado o andamento do processo, possa ser feita a troca dos integrantes da turma julgadora, deliberadamente antes (da votação), sabendo do voto que eles vão proferir — emendou Zveiter.

Além de acelerar a estratégia na CCJ, o PMDB resolveu fechar questão pela rejeição da denúncia. A legenda cobrou lealdade da bancada na CCJ e no plenário. Nesta quarta-feira, a Executiva e bancada do PMDB se reúnem para sacramentar o fechamento de questão, o que não ocorria desde a votação da chamada PEC do Teto, que fixou um limite para os gastos públicos.

Para forçar o apoio dos deputados a Temer, a bancada do PMDB na CCJ assinou um voto em separado. Esse parecer alternativo só será votado se o relatório de Zveiter pela aceitação da denúncia for derrotado. Apenas Sergio Zveiter e Rodrigo Pacheco não apoiaram o voto, além de Osmar Serraglio (PMDB-PR), que estava fora de Brasília. O Planalto tem pressa no processamento da denúncia para evitar perda de apoio com o passar dos dias.

Outros dois partidos da base, que integram o chamado centrão, o PP e o PR, também devem reunir a Executiva para fechar questão contra a denúncia. As reuniões, no entanto, ainda não foram marcadas e ambas as legendas estão divididas em relação ao apoio à permanência de Michel Temer no cargo.

— Deve haver uma reunião da Executiva para estabelecer o fechamento de questão. Quem decide isso é a Executiva, não é a bancada. As punições para quem descumprir serão colocadas na ata da reunião — afirma o líder do PR na Câmara, José Rocha (PR-BA)

A batalha da discussão e votação na CCJ começa nesta quarta-feira. O governo quer agilizar o debate e encerrar o processo na quinta-feira, para poder votar em plenário na sexta-feira. Pacheco já avisou que manterá o acordo para que todos os membros da comissão tenham o direito de falar, além de 40 deputados que não pertençam à comissão. Se todos os que tiverem direito falarem, será mais de 40 horas de discursos.

— Se o governo orientar os aliados a não falarem, fará a opção de ser espancado nas falas. Não sei se é a melhor estratégia — avaliou um aliado.

Segundo interlocutores, o próprio Temer comanda as articulações para se salvar e conversou pessoalmente, da semana passada até terça, com 60 deputados para pedir apoio na CCJ. O vice-líder do governo na Câmara e amigo de Temer, deputado Beto Mansur (PRB-SP), foi um dos que assumiram como titular na comissão, no lugar do deputado Lincoln Portela (PRB-MG). O PP deverá trocar até o momento da votação o deputado Esperidião Amin (PP-SC). Ele já foi avisado da troca, caso não mude de opinião.

A base aliada já tem pronto um requerimento para encerramento de discussão, que será apresentado na sessão de quarta-feira. O presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco, disse que não limitaria o debate, mas as regras permitem a apresentação do requerimento.

Aliados de Temer vinham demonstrando irritação com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que dava sinais de que queria arrastar o caso até agosto, quando a Procuradoria-Geral da República deverá mandar nova denúncia contra Temer. Sucessor na linha de comando do país, Maia veio a público na terça-feira dizer que, assim como deseja o governo, ele acha que o assunto tem que ser encerrado rapidamente.

— O Brasil não pode ficar parado. É uma denúncia contra o presidente da República. É grave. Eu espero que a gente consiga votar essa matéria o mais breve possível, que os deputados e deputadas possam — e faço esse apelo — continuar em Brasília — disse o presidente da Câmara.


 

Siga-nos no

Google News