BRASÍLIA — O presidente Michel Temer disse nesta segunda-feira, após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defender novamente o desembarque do PSDB do governo, que não ficou "irritado ou magoado" com o tucano. Apesar disso, a expectativa no Palácio do Planalto é que o partido, que ocupa quatro ministérios na gestão Temer, mantenha o apoio à administração do peemedebista e que o ajude a aprovar matérias prioritárias, em especial a reforma da Previdência.
— Tenho mais de 30 anos de vida pública para ficar irritado ou magoado com alguém por escrever um artigo — disse o presidente, segundo assessores próximos confirmaram ao GLOBO.
Um interlocutor de Temer minimizou as declarações de FH:
— Se ele ficar irritado não tem condições de sentar nessa cadeira — afirmou
, o ex-presidente escreveu que, se o PSDB não desembarcar do governo em dezembro, os tucanos se tornarão “coadjuvantes na briga sucessória”.
Apesar de defender o desembarque do governo, Fernando Henrique Cardoso também defendeu em seu artigo que o PSDB deve continuar apoiando as reformas propostas pelo governo.
Os tucanos têm hoje quatro ministros no governo de Michel Temer: Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo), Bruno Araújo (Cidades) e Luislinda Valois (Direitos Humanos). Luislinda foi alvo de uma polêmica recente ao tentar justificar um pedido para acumular o salário de ministra com o de desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça da Bahia, dizendo que sua situação se assemelharia ao “trabalho escravo”. Luislinda recebe R$ 30.400 como aposentada e, se somasse o salário de ministra, receberia R$ 61 mil, ultrapassando em quase o dobro o teto do funcionalismo público, que é de R$ 33.700.
O governo segue dizendo que, no que depender de Temer, uma reforma ministerial só virá em março, quando se intensificam as articulações para as eleições de 2018 e se desenhará a participação do presidente na disputa presidencial e nas regionais. Segundo auxiliares de Temer, uma antecipação nessas trocas de ministros só ocorrerá se o próprio PSDB decidir deixar o governo.
— Só muda o quadro se o PSDB antecipar seu posicionamento (de sair do governo). A princípio, Temer não vai antecipar nada - afirmou um assessor do Palácio.

