BRASÍLIA - No dia da votação da na (CCJ), o presidente exonerou dois ministros para reassumirem seus mandatos e ocuparem vagas na comissão, garantindo assim mais dois votos a favor do governo. A manobra irritou a ala anti-governista do , que articulava para destituir a líder do partido, Tereza Cristina, e substituir dois deputados do partido que votariam para arquivar a denúncia.
O PSB rompeu com o Palácio do Planalto pouco depois das revelações dos diálogos entre Temer e o dono da JBS, Joesley Batista, mas uma parte do partido se recusa a abandonar o governo.
— Vamos tentar reverter essa intromissão clara do governo para blindar Temer na CCJ. O governo está interferindo dentro do PSB para que a gente não consiga os quatro votos que teríamos — reclamou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).
Os ministros exonerados são Raul Jungmann (Defesa) e Fernando Bezerra Coelho Filho (Minas e Energia), . Jungmann é do PPS, mas entraria como suplente de um dos deputados do PSB trocados. Coelho Filho é do PSB e também assumiria no lugar de um dos correligionários substituídos. A ala do PSB rompida com Temer quer tirar Danilo Forte e Fábio Garcia. Ambos votaram pelo arquivamento da primeira denúncia contra Temer na comissão em julho passado. As trocas de membros podem acontecer até o momento da votação.
Os debates sobre essa nova denúncia contra Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) por obstrução de Justiça e organização criminosa recomeçaram pouco antes das 11h. A sessão começou às 10h10, mas foi suspensa a pedido do Psol, que pediu a recontagem dos presentes na comissão, já que o plenário da comissão estava esvaziado.
A votação deve acontecer na tarde de hoje, após a conclusão dos discursos contra e a favor do relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que recomenda o arquivamento da denúncia. Há 15 inscritos para falar, a maioria da oposição. Mas novos oradores ainda podem se prontificar. A tendência é que a maioria da comissão vote como o relator, pelo arquivamento das acusações.
Depois que a CCJ votar, o caso segue para o plenário da Câmara, onde será votado na semana que vem. Lá, são necessários 342 dos 513 votos para que a denúncia seja autorizada e portanto as investigações sejam feitas pelo Supremo Tribunal Federal. No último dia 2 de agosto Temer se livrou de outra denúncia, de corrupção passiva. Na ocasião ele obteve no plenário 263 votos em seu favor e 227 contrários.

