BRASÍLIA — A cúpula tucana acredita que a saída de António Imbassahy do ministério do presidente Michel Temer chancela a saída do PSDB do governo. Depois de um almoço com o governador de São Paulo e futuro presidente do partido, Geraldo Alckmin, o senador Tasso Jereissati (CE), disse que Imbassahy demorou para sair e reafirmou que o PSDB não faz mais parte da base do governo Temer.
— Já estava em tempo (de o ministro Imbassahy sair). Acho que ele demorou demais e tomou uma decisão tardia, mas antes tarde do que nunca. Basicamente o PDSB saiu do governo, não vai fazer oposição ao governo, vai ficar independente do governo e vai apoiar as reformas. Amanhã, não somos base do governo. E acho que o governador Alckmin vai anunciar isso, mas somos a favor de aprovar as reformas — disse Tasso.
O líder do partido na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), ressaltou que a saída dos ministros tucanos já é página virada e também destacou que o partido não participa do governo.
— Aos poucos vai se consolidando o que o partido espera: que é não participarmos do governo, mas apoiarmos as reformas que são fundamentais para o Brasil. A saída da base não é uma questão que precisa ser oficializada, a convenção amanhã é para elegermos a nova Executiva. Não será uma convenção para discutir apoio ou não, até porque sempre estivemos afastados desta questão. O partido já tinha discutido isso lá atrás — disse.
Tripoli afirmou que o apoio à reforma da Previdência está crescendo no partido, mas disse que fechamento de questão é uma “medida extrema”:
— O número de pessoas na bancada vem crescendo, o números dos que estão aderindo à reforma da Previdência, em função dos esclarecimentos. Mas é importante uma campanha de esclarecimento do governo. Estamos ampliando o número de pessoas que votarão favoravelmente. Mas fechamento de questão é uma medida extrema — disse ele.
Tasso Jereissati também afirmou que é díficil o fechamento ocorrer, e aproveiteu para criticar o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. A cúpula tucana ficou irritada com as declarações de Meirelles de que poderia ser candidato em 2018, ofuscando Alckmin:
— Acho difícil fechar questão, se for para expulsar deputado, porque não há consenso. Vejo o ministro da Fazenda clamando pelo PSDB e o seu próprio partido, ao qual é filiado e tem 40 deputados, não tem dez deputados votando na reforma da Previdência. Isso é vergonhoso. Mas a política está assim.

