O Ministério da Saúde anunciou a incorporação de dois novos e cruciais tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), visando elevar a qualidade e a expectativa de vida de pacientes com câncer de mama e de reto. As portarias que oficializam os avanços foram assinadas em parceria com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) durante o 26º Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, no Rio de Janeiro, e serão publicadas nesta sexta-feira (7) no Diário Oficial da União.
Um dos destaques é a expansão do uso do abemaciclibe para o tratamento do câncer de mama em estágio inicial com alto risco de metástase, medicamento que já era disponibilizado para casos avançados. Conforme a Sboc, o inibidor de ciclina "dobra a sobrevida livre de progressão", controlando o avanço da doença e diminuindo a mortalidade em cinco anos. Segundo o Ministério da Saúde, a disponibilização do medicamento começa já neste mês através de Autorizações de Procedimento de Alta Complexidade (Apac) descentralizadas, com um prazo de 180 dias para a oferta ser totalmente efetivada.
O segundo tratamento incorporado é a radioablação, um procedimento que utiliza energia de radiofrequência para destruir células tumorais. O diretor do Departamento de Atenção ao Câncer (Decan), José Barreto Campello Carvalheira, destacou que o procedimento é um avanço significativo no tratamento do câncer colorretal, pois oferece possibilidade de cura para pacientes com metástases hepáticas inoperáveis ou com alto risco cirúrgico, cujos tumores tenham até quatro centímetros. A radioablação estará disponível no SUS a partir de dezembro.
A presidente da Sboc, Angélica Nogueira, ressaltou o significado do anúncio das incorporações na abertura do Congresso, cujo tema é "Inovação a serviço do Acesso". As novas tecnologias são um "enorme significado" e fruto de um trabalho colaborativo focado em mudar o cenário da desigualdade, garantindo o acesso a tratamentos que podem efetivamente mudar o tempo e a qualidade de vida de um número maior de pacientes oncológicos.

