Início Brasil Suplemento alimentar ganha nova regra para prescrição
Brasil

Suplemento alimentar ganha nova regra para prescrição

Uma nova norma do Conselho Federal de Biomedicina (CFMB), adotada em junho, autorizou biomédicos a comercializarem e prescreverem suplementos alimentares indicados para repor nutrientes. Embora sejam encontrados com facilidade em farmácias e até em supermercados, esses produtos não devem ser consumidos sem orientação. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), porém, critica a regra, sob argumento de que essa competência cabe só a médicos e nutricionistas.

O CFMB destaca que os suplementos alimentares não são remédios e biomédicos têm a prerrogativa de indicá-los. Esses produtos estão isentos de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), exceto aqueles contendo enzimas ou probióticos. Mas o uso indiscriminado traz riscos à saúde. Para cada corpo há uma demanda diferente de vitaminas e nutrientes.

"Muitas suplementações passam por vários sistemas do corpo. O excesso pode prejudicar os rins, fígado e outros órgãos", explica Adriano Assis, coordenador do Programa de Pós-graduação em Saúde e Comportamento da Universidade Católica de Pelotas (UCPel).

Resolução

Pela resolução, o biomédico, registrado no conselho regional, desde que habilitado em análises clínicas ou análises bromatológicas ou em Fisiologia do Esporte e da Prática do Exercício Físico, poderá assumir a responsabilidade técnica de empresas que produzem e vendem suplementos.

E, conforme a regra, compete ao biomédico habilitado em acupuntura ou em biomedicina estética ou, ainda, em fisiologia do esporte e da prática do exercício físico, a prescrição de suplementos, desde que sejam isentos de orientação e prescrição médica.

Em julho, o Conselho Regional de Educação Física de São Paulo também reconheceu que os profissionais da educação física têm formação exigida para aconselhar, informar e esclarecer dúvidas sobre o uso de suplementos. A aplicação da medida é válida só para o Estado de São Paulo e para os suplementos exclusivamente ligados à prática do exercício físico.

Segundo Nelson Leme, que preside a entidade paulista, a ideia é dar segurança jurídica aos profissionais do setor, que são frequentemente questionados por seus alunos sobre o tema. Ele diz ainda que há planos de levar a proposta para o conselho federal.

"O ponto positivo é atribuir função de orientar ao profissional de Educação Física, que está em contato direto com o aluno ou atleta diariamente", diz Assis, da UCPel. "E como ponto negativo, acredito que falta disciplina de Bioquímica na grade curricular do curso de Educação Física, e em alguns casos, uma atualização dos profissionais para entender um pouco mais sobre os funcionamentos do corpo" alerta.

Desaprovação

Mas o Cremesp desaprova a adoção dessa conduta. Em nota, a entidade informou que se opõe à medida e ressalta que qualquer prescrição exige formação técnica adequada.

"Cabe logicamente a todo profissional de saúde orientar seus pacientes em relação ao uso das melhores práticas de educação alimentar, exercícios físicos etc. Porém, os médicos e nutricionistas são os únicos profissionais que possuem uma formação acadêmica superior qualificada a fazer esse tipo de orientação", destaca a conselheira Maria Camila Lunardi, da diretoria da Cremesp.

"Há riscos em se fazer uma avaliação por profissional sem a devida formação acadêmica, pois uma prescrição errada ou orientação alimentar pode causar danos à saúde dos pacientes", argumenta a conselheira do Cremesp.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?