SÃO PAULO - Defensores do ex-presidente Lula e de seu braço direito, Paulo Okamotto, bateram boca com o juiz Sérgio Moro durante a audiência desta segunda-feira. O juiz foi interrompido pelos advogados, que se incomodaram com a forma como o magistrado insistiu em saber do ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli se ele sabia os motivos que levaram à substituição de Cerveró na diretoria da Petrobras. . As investigações apontam que a mudança foi em atendimento a pedido do PMDB.
Pelo vídeo divulgado no sistema processual da Justiça Federal em Curitiba, não é possível saber que defensores bateram boca com o magistrado. Estavam presentes como representantes de Lula os advogados Cristiano Zanin Martins, Juarez Cirino dos Santos e June Cirino dos Santos. Como representantes de Okamotto, estavam presentes Anderson Bezerra Lopes e Vinicius Ferrari de Andrade.
- Estou fazendo perguntas, doutor - disse Moro ao ser interrompido pelos advogados.
- Vossa excelência está insistindo - reclamou um dos advogados.
O juiz respondeu:
- Eu estou fazendo as perguntas, doutor, não estou induzindo.
Um dos advogados interviu:
- São perguntas já respondidas.
- Eu ouvi pacientemente as perguntas da defesa e do Ministério Público. Eu estou fazendo minhas perguntas. Certo? - respondeu Moro.
Um dos advogados deu prosseguimento ao bate-boca:
- Mas suas perguntas são as perguntas de um inquisidor, e não as perguntas de um juiz.
Moro respondeu:
- Doutor, respeite o juízo.
Em novembro do ano passado, Moro já havia batido boca com o advogado José Roberto Batochio, que acusou o juiz de parcialidade. Batochio chegou a afirmar que "o juiz não é o dono do processo" e sugeriu que Moro queria "suprimir a defesa" com suas atitudes.
- Eu imaginei que isso tivesse sido sepultado em 1945, e vejo que ressurge aqui, nesta região agrícola do nosso país - afirmou, na ocasião.
Moro rebateu:
- A defesa está tumultuando a audiência, levantando questão de ordem atrás de questão de ordem. É inapropriado.

