O Supremo Tribunal Federal (STF) considera que o envio de R$ 2 milhões por Jair Bolsonaro ao seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, indica uma articulação conjunta para atacar o Judiciário brasileiro. A avaliação consta em decisão do ministro Alexandre de Moraes, que embasou a operação da Polícia Federal realizada na última sexta-feira (18), com mandados de busca e apreensão contra o ex-presidente.
Segundo Moraes, a movimentação financeira e postagens públicas demonstram que pai e filho atuam com o objetivo de desestabilizar a economia e interferir na atividade do STF. A transferência bancária foi realizada em 13 de maio, conforme admitido por Jair Bolsonaro à PF, sob a justificativa de que os recursos seriam usados para custear a estadia de Eduardo nos Estados Unidos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, interpretou a ação como parte de uma estratégia deliberada para financiar ataques ao Judiciário brasileiro em âmbito internacional. Para o STF, as atitudes configuram graves condutas ilícitas e atentados à soberania nacional, com tentativa de pressionar instituições e garantir impunidade penal.
Como resultado, Bolsonaro passou a cumprir uma série de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana, além da proibição de contato com diplomatas, investigados e uso de redes sociais. A PF investiga se o ex-presidente cometeu crimes como obstrução de Justiça, coação de testemunhas e articulação contra a ordem constitucional.
Durante a operação em sua residência, Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle teriam demonstrado nervosismo, mas não resistiram à ação dos agentes. Segundo a PF, o ex-presidente também teria condicionado a suspensão de tarifas comerciais dos EUA à aprovação de anistia no Brasil — o que, para Moraes, caracteriza tentativa de extorsão institucional.


