Os manifestantes se dividiram em blocos, todos sem identificações partidárias, e seguiram da Praça Rui Barbosa, maior terminal urbano da capital, para a Avenida Sete de Setembro, onde ficam as canaletas do ônibus expresso. De lá foram em direção à Praça do Japão e à sede da URBS, autarquia que controla o sistema de transportes da cidade. Até as 20 horas, outro grupo, com cerca de duas mil pessoas permanecia no terminal e ainda não havia decidido o itinerário.
A passeata desta sexta-feira, chamada de "Farofada do Transporte Coletivo" pelas redes sociais, estava marcada há duas semanas, mas foi precedida por outras três manifestações. Por conta disso, a pauta foi ampliada e deixou de discutir apenas o preço das passagens de ônibus, reduzida nesta semana de R$ 2,85 para R$ 2,70.
Segundo Janete Araújo, que estava acompanhada das filhas, estava na hora de todas as pessoas mostrarem à classe política o descontentamento geral. "Não é só o transporte que está em questão, mas a má qualidade da saúde, da educação, e outras coisas que precisam ser revistas e que possam melhorar todas as condições da população", disse. "Queremos que o resultado dessas manifestações apareça nas próximas eleições e que tenhamos pessoas que trabalhem pelo povo", afirmou.
Para José Martins da Silva, a situação chegou ao limite. "Não dá mais para conviver com essa taxa alta de impostos e ao mesmo tempo vermos a má aplicação desses recursos que os governantes não levam ao povo. Tenho a certeza de que a partir de agora os políticos vão prestar mais atenção na população, estava na hora de mudar isso tudo", reclamou.
Em sua opinião a redução da tarifa e também a retirada de pauta da votação da PEC 37 mostram que as coisas se tornam possíveis com a pressão popular. "Como uma coisa que não podia acontecer de uma hora para outra muda e acontece? Isso é por causa da nossa força, da pressão popular", concluiu.

