O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM), expoente da bancada evangélica, tornou-se um dos nomes centrais nas investigações da CPI do INSS. O parlamentar é apontado como o principal articulador de um acordo entre o instituto e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade suspeita de realizar descontos indevidos em aposentadorias de milhares de brasileiros.
Entre março de 2023 e abril de 2025, a CBPA recebeu R$ 221 milhões em repasses do INSS. A movimentação financeira saltou de R$ 30 mil mensais para quase R$ 10 milhões após a implementação de descontos de até 2,5% nos benefícios previdenciários. Contudo, auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) revelaram que, em amostras analisadas, nenhum associado confirmou ter autorizado tais cobranças.
A investigação ganhou novos contornos após documentos enviados à CPI e apurados pelo jornal O Globo revelarem que a CBPA repassou, desde o fim de 2023, cerca de R$ 1,8 milhão para empresas ligadas a familiares de Silas Câmara.
Os repasses incluem : R$ 1 milhão para a Network Filmes, de propriedade da cunhada do filho do deputado; R$ 800 mil para a Conektah, empresa que prestou serviços à campanha de Silas em 2022; R$ 30 mil para a Rádio Morena FM, dirigida por outro filho do parlamentar; R$ 30 mil para a Network Multimídia, em nome da sogra do filho de Silas. Além disso, a filha do deputado, Milena Ramos Câmara, foi contratada para atuar no setor jurídico da confederação.
Em ofício enviado à CPI, a defesa de Silas Câmara negou qualquer irregularidade, afirmando que a relação familiar não pressupõe crime e que não há indícios de que as empresas tenham sido usadas para fins ilícitos. O deputado não se manifestou publicamente após as últimas revelações.


