A mortalidade de árvores na borda sul é maior do que em qualquer outra região da Amazônia e, segundo a pesquisa, um aumento pode representar um ponto de inflexão para a floresta. A análise foi feita com dados de dez anos de pesquisas de campo na área que já é a mais seca, a mais quente e a mais fragmentada das regiões da Amazônia. Ela só foi possível graças a mais de 20 anos de monitoramento e contagem em áreas da floresta.
ÁRVORES MORTAS
O índice de 70% representa as árvores mortas após serem encontradas vivas, mas com as copas quebradas na contagem anterior. Das achadas mortas, sem catalogação anterior, a maioria morreu por quebra do tronco (54%); uma proporção menor morreu em pé (41%), e poucas foram desenraizadas (5%).
A mortalidade para árvores em pé foi maior em florestas sujeitas a secas mais intensas. Enquanto as árvores com copa mais exposta à luz eram mais propensas à morte por danos mecânicos, as menos iluminadas eram mais suscetíveis à morte por seca.
A quebra das copas resulta em maior exposição das árvores a pragas, mais fragilidade nas secas e menor capacidade de fotossíntese. O desmatamento deixa as que ficam em pé mais expostas à ação dos ventos, que tendem a ser mais fortes em decorrência do aumento da temperatura. Com mais árvores mortas, fica menor a capacidade de a floresta reter o dióxido de carbono, principal gás causador do aquecimento global.
Segundo a pesquisadora Simone Matias Reis, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), autora do estudo, a morte das árvores está ligada ao desmatamento na chamada fronteira agrícola, no sul da Amazônia. As medições foram feitas em Mato Grosso e no Pará. "Conforme aumenta o desmatamento para a agricultura e para a criação de pastos, a floresta fica mais exposta e a região desmatada pode ter diminuição de chuvas e aumento da intensidade dos ventos."
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

