Dos 13 pontos de monitoramento da água no rio em janeiro (dados completos mais recentes), 11 tinham valores de DBO (a chamada demanda bioquímica de oxigênio) abaixo de 30 mg/l, o limite para que a água não tenha cheiro e menor turbidez. É uma das principais métricas usadas para medir a limpeza.
Ainda assim, hoje há discrepâncias na qualidade ao longo de seu curso. Em seus extremos, na Usina Pedreira e no Cebolão, estão os locais com os piores índices. A parte superior do rio (da antiga Usina de Traição em direção à zona sul) é o trecho mais limpo, onde já se nota a presença de peixes. O presidente da Sabesp, Benedito Braga, explica que isso não é surpresa, uma vez que as ligações de esgoto já foram feitas.
Da usina até o Cebolão, porém, a poluição é mais concentrada. Por ora, assim como o Tietê, onde deságua, o Pinheiros limpo é ainda um projeto. E limpo não significa que terá condições de algum dia ser um rio em que se possa nadar ou pescar. Às margens da bacia do Pinheiros vivem cerca de 3 milhões de pessoas, 1,6 milhão sem esgoto tratado.
Além do esgoto clandestino, o rio recebe a sujeira difusa das pistas da Marginal. Óleo, restos de pneus e detritos dos carros são levados pela chuva para o seu leito todos os dias. A única forma de evitar essa poluição seria não ter movimento na via, o que está longe de ser uma opção. "É um rio urbano que, assim como Sena ou o Tâmisa, está sujeito a essa poluição difusa", diz o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido.
INVESTIMENTO
O projeto de limpeza do Pinheiros prevê o investimento de R$ 3 bilhões em obras para a coleta de esgoto, despoluição e desassoreamento do leito, construção de Unidades de Renovação da Água em locais em que a coleta casa a casa é quase impossível (normalmente em ocupações irregulares), instalação do Parque Bruno Covas, com 17 km de extensão em sua margem, e a transformação da Usina São Paulo em um centro gastronômico, de compras e lazer.
Desde 2019, foram feitas a ligação de esgoto em 554 mil domicílios na bacia do Pinheiros, o que corresponde a 2.300 litros de esgoto por segundo de 1,5 milhão de moradores a menos nos afluentes do rio. Além disso, cinco Unidades de Renovação da Água devem ser entregues até setembro, a primeira delas em abril. A meta é chegar até setembro sem esgoto clandestino jogado no rio, o que deverá reduzir a pressão de matéria orgânica na água.
Segundo Penido, o modelo de contratação das obras é um passo fundamental. "Os contratos são por resultado, não por obra. Ou seja, as empresas contratadas têm interesse em fazer o máximo possível de ligações de esgoto", afirma.
Isso, porém, não evitará que algumas ações continuem mesmo após o fim das obras. O desassoreamento do rio e a coleta de material sólido das águas são duas delas. Em todo seu curso, o Pinheiros deve manter 2,5 metros de profundidade. Para isso, 22 balsas e mais de 200 funcionários seguirão retirando lodo. Para evitar que lixo sólido, como garrafas plásticas, sejam jogadas nos afluentes, o plano é continuar investindo em educação ambiental nas comunidades.
OUTORGA
Ao anunciar a reforma da usina, concedida por R$ 280 milhões a um consórcio privado, Doria a chamou de "Puerto Madero" brasileiro, referência à área revitalizada de Buenos Aires, na Argentina. Penido vê no empreendimento um ponto de valorização da região. "Entre a outorga paga ao Estado e o investimento na reforma do local, o investimento privado é de cerca de R$ 1 bilhão", afirma.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

