O Estado que mais cresceu no País em população de 2000 a 2010 foi o Amapá, com quase 3,45% ao ano, em média. Em termos absolutos, porém, o Sudeste teve o maior aumento de população - absorveu 37,9% do crescimento, menos que na década anterior (42,1%). Somadas, as regiões Sudeste e Nordeste, de ocupação mais antiga do Brasil, ficaram com 63,4% do aumento da população brasileira na última década - 13,3 milhões de pessoas.
Mesmo assim, é uma queda em relação ao censo anterior, quando as duas regiões somaram 64,9% do incremento (14,9 milhões de habitantes). O Brasil atingiu, no período pesquisado, o menor crescimento populacional da sua história: 1,17% em média por ano, contra 1,64% na década anterior. Somente Norte e Centro-Oeste permaneceram com taxas acima da nacional, mesmo assim mais baixas que no Censo 2000: respectivamente, 2,09% (antes, 2,86%) e 1,91% (antes, 2,39%). A Região Sul atingiu a menor taxa regional (0,97%, contra 1,43% anterior), sendo o Rio Grande do Sul o Estado que menos cresceu (0,49%, contra 1,23% anterior).
Houve mudança também no ranking dos Estados mais populosos. Antes, eram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pará, Bahia, Paraná, Ceará e Rio Grande do Sul. Agora, as quatro primeiras posições se mantém, mas em seguida vêm Ceará, Goiás, Bahia e Maranhão.
A população de autodeclarados pretos (14.517.961) e pardos (82.277.333) já representa 50,7% dos 190,7 milhões de brasileiros, segundo resultados preliminares do universo do Censo 2010. A maior concentração de pardos foi verificada no Nordeste, e o maior número absoluto de autodeclarados pretos estava na região Sudeste.
Municípios
O País vive uma espécie de gangorra populacional. As cidades menores, sobretudo até 10 mil habitantes, registraram a maior parte do crescimento negativo (redução de população) no período. Do total, 1.372 cidades perderam gente, o que corresponde a 25% dos municípios. Na faixa até 2.000 habitantes, 61% das cidades perderam população. As cidades que mais tiveram perda populacional tinham de 5001 a 10.000 habitantes (perda média anual de 0,97%).
Há acentuado crescimento das cidades médias, de 100.001 a 500 mil habitantes (mais de 2% anuais). O interessante é que, das 15 cidades que mais cresceram em população, 13 ficam no Norte e no Centro-Oeste. Nas 15 que mais perderam gente, só três são do Norte e Centro-Oeste. Dentre as capitais com mais de 1 milhão de moradores, quem mais cresceu foi Manaus. Se incluirmos todas as capitais, a dianteira é de Palmas, com 5,21% anuais.
Em vários Estados, a população do interior cresceu mais que a da capital. Os dez Estados que mais cresceram são do Norte e Centro Oeste: pela ordem, Amapá, Roraima, Acre, Distrito Federal, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Goiás , Tocantins e Mato Grosso do Sul. No mesmo período, a população das 27 capitais apresentou crescimento médio anual idêntico ao nacional : 1,17%. A população das capitais subiu de 40.464.098 (no Censo 2000) para 45.466.045 (em 2010); a dos demais municípios, de 129.335.072 para 145.289.754. Ou seja, a população fora das capitais cresceu três vezes mais. Em termos proporcionais, porém, a participação das capitais no total da população do Brasil ficou em 23,8%.
Campo x Cidade
A população rural brasileira diminuiu em 2 milhões de pessoas no período pesquisado. O Sudeste foi a região que mais perdeu gente no campo, passando de 6,9 milhões para 5,7 milhões. O Sul perdeu 600 mil pessoas, chegando a 4,1 milhões. O Nordeste perdeu 500 mil, no entanto, continuou com quase metade da população rural do Brasil, ou seja, 14,3 milhões de pessoas.
Na contramão dessa tendência, que se acentua no Brasil inteiro desde os anos 70, Norte e Centro-Oeste aumentaram suas populações rurais respectivamente em 313.606 e 31.379 habitantes.
A taxa de urbanização do Brasil continuou a subir: de 75,6 em 91 para 81,2% em 2000 e para 84,4% em 2010. A região mais urbana é a Sudeste (92,9%), e a menos é o Nordeste (73,1%). Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo são as três unidades mais urbanizadas da Federação, com 96,7%, 96,6% e 95,9% das suas populações nas cidades, respectivamente.
Homem x Mulher
A proporção homens/mulheres no País passou de 96,9/100 para 96/100. O motivo para isto é a grande mortalidade dos homens, em parte em decorrência de causas externas, como a violência urbana. O censo encontrou 3.941.819 mulheres a mais que homens no País.
A Região Norte é a única que tem mais homens que mulheres, mas isso não é homogêneo, embora em todos os Estados da região a razão de sexo seja de mais de 100. No Centro Oeste, a razão de sexo é acima da nacional, sendo 98,6 homens para 100 mulheres. Em Mato Grosso são 104 homens para 100 mulheres, enquanto no Distrito Federal o dado se inverte, sendo 91,6 homens para 100 mulheres. A unidade com menor razão de sexo é o Rio de Janeiro: 91,2 homens para 100 mulheres.
Observou-se ainda a mudança, já apontada nas PNADS, da pirâmide etária brasileira. A base, formada pelos mais jovens, foi reduzida, enquanto e o meio aumentara. Para se ter uma ideia, em 1991, 34,7% dos brasileiros tinham menos de 15 anos; em 2010, eles eram 24,1% da população. Já a faixa de 65 anos ou mais foi de 4,8% para 7,4%.
Renda
Cresceu o número de domicílios particulares ocupados no Brasil, foi de 45 milhões para 56,5 milhões. Os maiores aumentos foram observados nas regiões Norte e Nordeste. O Sudeste manteve a dianteira, passando de 20,3% para 24,8 milhões de domicílios ocupados, um aumento de 22,2%.
Dos 57,3 milhões de domicílios ocupados, em mais da metade (32,2 milhões) viviam famílias com menos de 1 salário mínimo, que correspondia a R$ 510 na época da pesquisa, de renda mensal per capita. Em 15,8 milhões de domicílios viviam famílias com até meio-salário mínimo de renda mensal. O total de domicílios classificados como sem rendimento foi de 2,4 milhões e aqueles onde havia mais de 5 salários mínimos de renda mensal somaram 2,9 milhões.
O número médio de habitantes caiu de 4,2 em 1991 para 3,8 em 2000 e 3,3 no ano passado. Dos 57.324.185 domicílios particulares permanentes do País, 49,8 milhões são casas e 6,1 milhões são apartamentos. Ocas ou malocas somaram 14.614. Do total de domicílios, 42 milhões eram próprios, 10,5 milhões eram alugados, e 4,4 milhões eram cedidos.
Um dos resultados preliminares do universo do Censo (ainda não submetidos a processos de crítica) indica que 60 mil pessoas declararam viver em domicílios com cônjuge do mesmo sexo. Foi a primeira vez que o IBGE pesquisou essa informação em todo o País. A maior concentração absoluta foi verificada na Região Sudeste (32.202).
Brasil tem 3,9 milhões de mulheres a mais que homens e 23 mil centenários
O Censo 2010 mostra que o município paulista de Balbinos apresentou o maior crescimento populacional desta década, com alta de 199,47% em relação ao Censo 2000. O numero de pessoas no município chegou a 3.932 em 2010, ante 1.313 em 2000.
O segundo maior crescimento populacional no período foi registrado em Rio das Ostras (RJ), com alta de 190,39 por cento, com população atual de 105.757 pessoas.
O Censo mostra também que existem 95,9 homens para cada 100 mulheres no Brasil em 2010, ou seja, existem mais 3,9 milhões de mulheres a mais que homens no Brasil.
Em 2000, havia 96,9 homens para cada 100 mulheres. Entre os municípios, o que apresenta maior porcentual de homens é Balbinos (SP), enquanto o maior porcentual de mulheres estavam em Santos (SP).
Os resultados estão sendo apresentados após quatro meses de trabalho de coleta e supervisão, durante os quais trabalharam 230 mil pessoas, sendo 191 mil recenseadores.
O Censo 2010 apurou ainda que existiam 23.760 brasileiros com mais de 100 anos. Bahia é a unidade da federação a contar com mais brasileiros centenários (3.525), São Paulo (3.146) e Minas Gerais (2.597).
